Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês
Sobre Palavras Por Sérgio Rodrigues Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Casal gay? Isso está certo? Está

Hoje a “palavra da semana” é uma expressão que, em uso há muito tempo na língua das ruas, foi trazida ao centro do palco pela decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer a união estável de parceiros do mesmo sexo: casal gay. Por sua atualidade, reproduzo abaixo a coluna publicada neste espaço no dia 1º. […]

Por Sérgio Rodrigues Atualizado em 31 jul 2020, 12h04 - Publicado em 7 Maio 2011, 10h00

Hoje a “palavra da semana” é uma expressão que, em uso há muito tempo na língua das ruas, foi trazida ao centro do palco pela decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer a união estável de parceiros do mesmo sexo: casal gay. Por sua atualidade, reproduzo abaixo a coluna publicada neste espaço no dia 1º. de agosto do ano passado, a propósito do primeiro casamento gay celebrado na Argentina.

*

“Dois homens, que estão juntos há 27 anos, se tornaram nesta sexta-feira o primeiro casal gay a celebrar uma união civil na Argentina”, leio aqui em VEJA.com.

Está certo. Quem diz – e muita gente diz – que “casal gay” é um contrassenso, argumentando que casal implica necessariamente os dois sexos, externa uma restrição moral ou religiosa embrulhada numa análise linguística pobre.

A acepção mais corrente de casal exclui mesmo os gays: “par composto de macho e fêmea, ou marido e mulher” (Aurélio). Mas esta é só uma das acepções de casal, que uma ampliação semântica transformou faz tempo em sinônimo de par, dupla, sem referência a gênero: “duas coisas iguais; par, parelha” (Houaiss). Atenção para “iguais”.

Há outras formas de aparar esse golpe do gato-mestrismo linguístico. O sentido original de casal era casa pequena e rústica ou conjunto de habitações desse tipo. Depois, por extensão de sentido, a palavra passou a nomear também quem ali morava. “No sentido de par de animais de sexos diferentes, (casal) vem da idéia de viverem eles juntos no mesmo casal”, diz o etimologista Antenor Nascentes. Ou seja, o foco é o endereço, não o gênero. Na Idade Média, quando surgiu a palavra, leis e costumes não permitiam aplicá-la a parceiros do mesmo sexo. Mas não estamos na Idade Média.

As escolhas que cada um faz em sua linguagem pessoal são soberanas, um direito inalienável. Melhor assumi-las do que partir à caça de “erros” que não estão lá, tentando legitimar tecnicamente uma opção que no fundo é política.

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo da VEJA! Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app, para celular e tablet.

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.

a partir de R$ 39,90/mês

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet.

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Edições da Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 19,90/mês