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Ricardo Rangel

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Alexandre é otimista demais

Em sua imperdível entrevista, o ministro do STF se esquece de Thomas Jefferson

Por Ricardo Rangel Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 8 Maio 2024, 17h06 - Publicado em 5 jan 2024, 14h51

Mais completo e minucioso relato feito até agora sobre a intentona bolsonarista de janeiro passado, a entrevista do ministro Alexandre de Moraes, do STF, a VEJA é absolutamente imperdível.

O único senão é a “nota 10” que o ministro dá ao grau de estabilidade política no Brasil hoje. É natural que Alexandre dê nota tão alta: é seu papel pôr a bola no chão, tranquilizar o público e não botar azeitona da empada do golpismo.

Mas a nota 10 é excessivamente otimista.

A contamização golpista em vastos setores do eleitorado, das Forças Armadas, da Polícia Rodoviária Federal, das Polícias Militares e do Congresso Nacional não mudou. E o problema das redes sociais, instrumentalizadas pelo bolsonarismo para disseminar fake news e estimular o ódio e a sedição, está longe de estar equacionado.

O maior desafio é a “questão militar”, que permanece tão atual hoje quanto o era no tempo do Império.

Muito se repete que as Forças Armadas não aderiram ao golpe etc., o que, claro, é um fato.

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Mas há outros fatos. Os comandantes das Forças nomeados em 2020, deram inúmeras declarações ameaçando a democracia, contribuíram fortemente para a construção da narrativa golpista e preferiram renunciar a seus cargos a servir um só dia sob o novo presidente.

As Forças Armadas nunca reprimiram o discurso golpista em suas hostes. Os acampamentos golpistas, repletos de parentes de militares, foram permitidos e mantidos pelo Exército. O golpismo grassava entre oficiais e soldados, muitos dos quais participaram da invasão à sede do Poder.

O Exército ignorou ordem judicial e impediu a entrada da polícia no acampamento em Brasília, dando fuga a inúmeros golpistas. Uma semana após a intentona, o comandante do Exército Júlio César de Arruda recusou-se a obedecer a ordem do presidente de revogar a ordem de nomear Mauro Cid.

Ninguém sabe o que teria acontecido se algum general doidivanas pusesse a tropa na rua. Como ninguém sabe o que aconteceria se Lula tivesse decretado uma GLO.

Aliás, vale lembrar que o golpe de 1964 não foi desfechado pelos chefes da conspiração. Foi um general de divisão doidivanas, Olympio Mourão Filho, que cansou de esperar pelo golpe e botou a tropa na rua. Seus superiores, os generais Castello Branco e Costa e Silva só se decidiram a aderir depois.

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Ou seja, é certo que as Forças Armadas não participaram da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Mas está longe de certo que as Forças Armadas não participariam de alguma outra tentativa de golpe se as circunstâncias fossem outras.

O grau de estabilidade política no Brasil de hoje merece uma nota 7 e olhe lá.

“O preço da liberdade é a eterna vigilância”, teria dito Thomas Jefferson mais de 200 anos atrás. A frase é um clichê — mas continua verdadeira. 

(Por Ricardo Rangel em 05/01/2024)

 

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