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Paulo Cezar Caju Por Paulo Cezar Caju O papo reto do craque que joga contra o lugar-comum

Cartolouco é o retrato do circo (sem graça) que virou o futebol

Pelo que entendi, um comediante foi inscrito entre os profissionais do Resende no Campeonato Carioca. Eis o 'novo normal' da bola

Por Paulo Cezar Caju Atualizado em 22 mar 2021, 18h49 - Publicado em 22 mar 2021, 17h07

Não sei se vocês ficaram sabendo, mas o Resende, um clube que eu considerava sério, inscreveu entre os jogadores que participariam do Estadual um personagem conhecido como Cartolouco. Não faço ideia do que seja isso, mas se não é sindicalizado e se não é de fato um atleta a Federação Carioca deve tomar alguma providência. Pelo que entendi é mais um comediante, desses tantos que fazem do futebol o seu circo. Um outro clube, não sei qual, tentou inscrever o sósia do Gabigol. Isso é o retrato do picadeiro em que se transformou o futebol, uma tremenda palhaçada.

Se a FERJ e o Sindicato permitirem, ouçam o que estou dizendo, já já os clubes colocarão influenciadores em campo em busca de audiência. Meu compadre Búfalo Gil tem uma frase que acho perfeita: “O futebol de antigamente não tinha apenas mais craques, tinha também mais personagens”. Ele está certíssimo! Ou o querido Orlando Lelé não era um personagem? Merica, Moisés, Jacozinho, Amaral, César Maluco, enfim, jogadores que além de jogar bola encantavam a torcida com seu carisma, verdadeiros xodós. Dadá Maravilha! Beijoca! Hoje, o jogador está em quinto plano tanto que os clubes já estão escalando influenciadores em suas vagas. E está errado! O jogador deve ser a principal atração do espetáculo, mas os papagaios de pirata chegaram com força total.

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Hoje, o VAR tem muito mais visibilidade que os jogadores. Saudade de Armando Marques e Margarida, que se integravam perfeitamente na beleza que é o futebol. Hoje temos árbitros bombadões, que sabem que estão sendo filmados e colocam os atletas no bolso no quesito marketing pessoal. O mesmo acontece com os treinadores, que no passado assistiam os jogos quietinhos junto aos reservas. Hoje, Rogério Ceni quer ensinar Arrascaeta a jogar bola, Marcão saía rouco e Lisca Doido virou celebridade. Tem até gerente de futebol berrando, o do Vasco é um deles, reclamando da arbitragem na beira do campo.

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Nas tevês, nem se fala. Você que assistir um programa de conteúdo relevante, liga a tevê e dá de cara com imitadores. Viraram uma febre! E com as mesmas e surradas imitações de sempre. Sinceramente, adoro uma boa piada, um ambiente descontraído, uma resenha com boas histórias, mas esse formato está desgastado e só atende aos telespectadores desprovidos de neurônios. Mas devem ser do time desse tal Cartolouco, as novas vedetes do futebol. Resumindo, no futebol do novo normal o árbitro aparece mais que o jogador, os comentaristas aparecem mais que os jogadores, os locutores aparecem mais que os jogadores e os influenciadores estão chutando os jogadores para escanteio.

Mas, PC, você viu Botafogo x Vasco, me provocou Fabiane, dona do P.Ovo Café junto com Leonardo e Cláudio, minha parada obrigatória no Leblon. Pior que eu vi. É, os jogadores atuais não estão com moral para serem protagonistas de nada mesmo. Viva o Cartolouco! Viva as paródias sem graça! Viva o futebol do novo normal! E como diz meu amigo Guilherme Careca, segue o baile! Só não dá para seguir ouvindo que o jogador chapou a cara da bola para colocar na bochecha da rede!

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