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Paulo Cezar Caju Por Paulo Cezar Caju O papo reto do craque que joga contra o lugar-comum

Botafogo é campeão mundial? Na verdade, é bem mais que isso

Independentemente do que diga a Fifa, nós jogadores podemos garantir a relevância das conquistas alvinegras na década de 60

Por Paulo Cezar Caju 27 abr 2020, 18h59

Recebi uma mensagem do santista J. Maurílio Paixão sugerindo que os jogadores de nossa época não fiquem comparando qual dos dois times, Botafogo e Santos, teria sido o melhor. Um tinha Pelé, o outro Garrincha e proporcionaram ao público espetáculos grandiosos em que pouco importava o resultado. Sabe, ele tem toda razão, afinal todos os jogadores se respeitavam. Mas volta e meia caímos nessas pegadinhas da imprensa, tipo “PC Caju x Edu”? Na época, o bairrismo era pesado e influenciava até nas convocações da seleção. Também tinha o Cruzeiro, Palmeiras e outros gigantes, cada qual com o seu 10 de qualidade e seu centroavante que cabeceava de os olhos abertos. O mundo nos respeitava e a maior prova de nosso poder de fogo foram as conquistas internacionais.

Hoje, os times brasileiros não são convidados mais para nada, no máximo torneios de quinta categoria nos Estados Unidos. Agora, o centro de memória do Botafogo, em nome de Luís Felipe Carneiro de Miranda, reivindica à Fifa como títulos mundiais. Talvez seja uma batalha inglória, mas nós jogadores podemos garantir sua relevância, tanto que o Torneio de Caracas era chamado de Pequena Taça do Mundo. A qualidade dos adversários era infinitamente superior aos de hoje. Fui campeão mundial de clubes pelo Grêmio em cima do Hamburgo e, claro, me orgulho disso, mas na segunda edição do Torneio de Caracas vencemos a seleção da argentina na final. Na primeira, a decisão foi contra o Barcelona e ganhamos por 3×2, gols de Aírton Beleza, Gerson e um meu. Também vencemos o Peñarol, o Spartak, o próprio Santos, de Pelé, e o Benfica, de Eusébio e Coluna.

O nível era altíssimo e não é nenhum absurdo essa reivindicação. O Botafogo até confeccionou os troféus porque o torneio não premiava. Vários clubes têm suas reivindicações, justas ou não. Que coloquem a boca no trombone! Os clubes da época venciam seleções e o mundo os reverenciava, talvez fosse importante a Fifa rever seus critérios, não pelo Botafogo, mas pela história do futebol como um todo. Se hoje grandes torcidas existem muito deve-se a esses jogadores. Pouco me importa se o Botafogo vai subir mais alguns degraus no ranking, afinal com essa revisão outros clubes seriam contemplados.

O santista J. Maurílio Paixão sabe bem que seu clube era um papa-títulos internacional. Bangu, Corinthians e Cruzeiro também venceram edições do Torneio de Caracas, tinham timaços! Relendo a mensagem de J. Maurílio Paixão me emociono porque vejo um torcedor brigando por suas cores, exigindo respeito, tudo com extrema educação e cordialidade. Está na história e história é para ser respeitada. O Santos sempre foi um celeiro de ídolos, assim como o Botafogo. Se a Fifa não aceitar a reivindicação de nosso clube continuaremos tendo a plena certeza de nosso papel, de nossa luta, de nossa glória.

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