Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês
Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Está tudo ficando numa boa para Bolsonaro

Um ano inesquecível para ele

Por Ricardo Noblat Atualizado em 6 out 2020, 08h44 - Publicado em 6 out 2020, 08h00

Está tudo ficando numa boa para Bolsonaro, e a continuar assim, mesmo com pandemia, este ano terá sido melhor para ele do que foi 2019. Aquele abraço efusivo no ministro Dias Toffoli, seguido por generosas fatias de pizza regadas a vinho de boa marca, acabou por selar a paz entre o presidente e o Supremo Tribunal Federal.

Quem ouviu falar mais do inquérito das fake news aberto por Toffoli e conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes que fechara o cerco ao gabinete do ódio comandado de dentro do Palácio do Planalto pelo vereador Carlos Bolsonaro, o Zero Dois? Nem do inquérito, nem do gabinete do ódio que, por enquanto, hiberna.

O presidente e o tribunal passaram o pano sobre a ocasião em que o país esteve à beira de uma crise institucional. Foi no final de maio último quando a Polícia Federal saiu à caça de bolsonaristas radicais, esculachou alguns e prendeu outros. Bolsonaro convocou sua tropa e ameaçou pôr o Supremo em recesso.

“Acabou, porra”, descontrolou-se. Novas ordens do tribunal não seriam cumpridas. Como os militares não toparam dar o golpe, Bolsonaro foi convencido a mudar de assunto e de comportamento ante o risco de o presidente da Câmara desengavetar um dos 50 pedidos de impeachment que existem contra ele.

Então, um Bolsonaro manso, humilde e amistoso bateu à porta da casa do ministro Gilmar Mendes, na semana passada, para obter a bênção dele e de Toffoli à nomeação para o Supremo do desembargador Kassio Nunes Marques, “o nosso Kassio” como é chamado pelo senador Ciro Nogueira, um dos líderes do Centrão.

Ele e Kassio sairiam de lá abençoados. Bolsonaro tem pressa em ver o nome de Kassio aprovado pelo Senado para a vaga do ministro Celso de Mello, que se despede do tribunal na próxima terça-feira. Se tudo correr rápido, são grandes as chances de Kassio herdar os processos que Celso não terá mais tempo para julgar.

Continua após a publicidade

Um deles: o que investiga o próprio Bolsonaro, acusado pelo ex-juiz Sérgio Moro de ter tentado intervir na Polícia Federal. Outro: o que pede a suspensão das investigações sobre Flávio Bolsonaro, o Zero Um, acusado de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e de subtrair parte do salário de servidores públicos no Rio.

Sinal da harmonia restabelecida entre o Executivo e o Judiciário: a pedido de Flávio, o Conselho Nacional de Justiça abriu sindicância contra a promotora Patrícia Villela, que chefiou o inquérito da rachadinha. Ela e outros promotores são acusados de abuso de autoridade e de vazar documentos que incriminam Flávio.

Sinal recém-saído do forno da harmonia entre o Executivo e o Congresso: ontem à noite, o senador Renan Calheiros (MDB) reuniu em torno de uma mesma o ministro Paulo Guedes, da Economia, e Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara, que haviam rompido. Maia chorou e pediu desculpas a Guedes.

Renan conversou com os dois sobre um modo de arranjar dinheiro que financie o programa Renda Cidadã. Essa é uma questão vital para a reeleição de Bolsonaro. Hoje, o ex-presidente Michel Temer é quem está mais empenhado em ajudar Bolsonaro a governar mesmo que a custa do sacrifício de o MDB ter de governar com ele.

No momento, Bolsonaro só padece de um incômodo: a gritaria dos seus devotos mais extremistas inconformados com a escolha de Kassio. Foi por isso que incumbiu o próprio Kassio de se entender com eles. Missão dada, missão que avança. Somente ontem, Kassio apaziguou os irmãos Weintraub e falou com o pastor Silas Malafaia.

É verdade que o Pantanal e a floresta amazônica ardem em chamas, restingas e manguezais estão ao Deus dará e o coronavírus, só nas últimas 24 horas, matou quase 400 pessoas, o equivalente à lotação completa de dois Boeings 737-800. Mas, e daí? Quantos milhões de brasileiros parecem ligar para isso?

ASSINE VEJA

O novo perfil que Bolsonaro quer para o STF Leia nesta edição: os planos do presidente para o Supremo. E mais: as profundas transformações provocadas no cotidiano pela pandemia
Clique e Assine
Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo de VEJA. Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app (celular/tablet).

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.



a partir de R$ 39,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet. Edições de Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)