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Mundialista

Por Vilma Gryzinski
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Teorias conspiratórias propagadas por Roger Waters querem derrubar Israel

Negar a chacina de civis e até atribuir os crimes aos próprios israelenses é muito mais que fake news, faz parte da guerra de propaganda

Por Vilma Gryzinski Atualizado em 9 Maio 2024, 20h13 - Publicado em 9 nov 2023, 08h07

Tem gente que faz por ingenuidade, querendo se integrar com os amigos esquerdistas, tem gente que faz por profissão: manipular a informação e transformar vítimas em culpados é talvez o mais alto nível da guerra de propaganda.

Qual o lugar de Roger Waters, o ex-Pink Floyd que soçobrou lamentavelmente no antissemitismo?

Cada um pode julgar por si mesmo. Mas é importante notar como estão se disseminando as barbaridades sobre os ataques do Hamas contra comunidades israelenses ditas por ele, numa entrevista ao jornalista Glenn Greenwald.

Inventar teorias conspiratórias é o marco zero. “Não sabemos se jamais chegaremos ao fundo da história verdadeira”, insinuou ele. Pode ter sido uma “operação de bandeira falsa”, “não sabemos o que o Hamas fez”, tem “algo que cheira mal” na forma como as forças israelenses foram pegas de surpresa.

“Tudo foi levado ao absurdo pelos israelenses que inventaram histórias sobre bebês decapitados.”

Pronto, chegamos aos bebês decapitados, algo que nem longas carreiras no jornalismo nos prepararia para discutir.

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Mas é discutido sim, dentro da campanha nada sutil que corre pelas redes sociais. Diante do horror provocado pelas atrocidades abundantemente documentadas no 7 de outubro, a tática é disseminar dúvidas sobre “o que realmente aconteceu”. “Bandeira falsa” significa que os próprios israelenses montaram a operação. “Eles estão dizendo que é o Onze de Setembro, mas o que aconteceu no Onze de Setembro?”, sibila o artista da manipulação, recorrendo a uma das grandes teorias conspiratórias do século.

Na intenção de isentar o Hamas, Roger Waters inventa até uma cláusula inexistente das convenções de Genebra.

“Foi justificado para eles resistir à ocupação? Foi”, afirmou. “Eles são absolutamente, legalmente e moralmente obrigados a resistir à ocupação desde 1967. É uma obrigação.”

Mentir, mentir e mentir mais um pouco funciona para plantar dúvidas ou incentivar o efeito manada produzido por ideologia: se vem de Israel, é ruim ou não verdadeiro.

Depois de comemorarem amplamente o que viam, com razão, como um tremendo golpe contra Israel, até dirigentes do Hamas começaram a afirmar que a operação foi dirigida unicamente contra militares (dos cerca de 1 400 mortos, um número ainda em aberto porque continua a haver desaparecidos, 316 eram das Forças de Defesa, da polícia e de outros órgãos de segurança).

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Para retratar a extensão e a brutalidade dos crimes cometidos no ataque do Hamas, Israel fez a terrível compilação de cenas tiradas das câmeras dos próprios agressores ou de outras formas de registro. O vídeo foi mostrado a jornalistas, diplomatas e parlamentares e o governo cogita atualmente liberá-lo para todos os públicos. Psicólogos e psiquiatras já condenaram veementemente a ideia, dizendo que só aumentaria o trauma de inúmeras pessoas profundamente chocadas pela violência sem precedentes que abalou o país.

Existe outro aspecto a ser levado em conta: poderia haver uma espécie de banalização das imagens.

Apenas um mês se passou desde o ataque em massa com abundantes registros feitos pelos próprios perpetradores, além de fotógrafos de agências ocidentais que vieram de Gaza, e já correm nas redes as campanhas para dizer que eles não aconteceram ou foram, como diz Waters, fruto de uma operação de “bandeira falsa”. Já circulou até a suprema infâmia de atribuir as mortes de civis a militares israelenses.

No que negar ou menosprezar as atrocidades sofridas por israelenses alivia ou ajuda a resolver os terríveis sofrimentos da população civil em Gaza, provocados e justificados por dirigentes do Hamas? Em nada, obviamente. A única utilidade é mostrar as cínicas táticas de desinformação e estabelecer um critério: tudo que vier de Roger Waters e correlatos vem irreversivelmente contaminado e quem compartilha disso está na mesma lama.

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