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Por José Benedito da Silva Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
A política e seus bastidores. Com Laísa Dall'Agnol, Victoria Bechara, Bruno Caniato, Valmar Hupsel Filho e Isabella Alonso Panho. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.
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‘Não deixe de confiar em você’, diz jovem aprovada sete vezes em Medicina

Aos 18 anos, Angélica Toledo relata a trajetória escolar, a inspiração da família e a sensação de conquistar um sonho de infância

Por Bruno Caniato Atualizado em 9 Maio 2024, 10h26 - Publicado em 12 fev 2024, 10h31

Para Angélica Toledo, cursar a faculdade de Medicina sempre foi, mais do que um sonho, uma certeza. Nascida e criada em uma família com amplo histórico na área de Saúde – filha de uma enfermeira e um fisioterapeuta, neta de funcionárias hospitalares, além dos primos que cursam Fisioterapia e Nutrição -, relata que o desejo de cuidar das pessoas sempre a acompanhou. “Na minha cabeça, nunca houve segunda opção”, afirmou ela a VEJA.

Ironicamente, opções não faltam hoje para a estudante de Capivari, no interior de São Paulo. Ela acaba de ser aprovada não apenas em uma, mas em sete faculdades de Medicina. Aos 18 anos, Angélica conquistou vagas na USP, Unicamp, Unesp, UFMG, Universidade Federal de Uberlândia (UFU), PUC-Campinas e UNIP. Entre tantas possibilidades, já decidiu que cursará na Universidade Estadual de Campinas, seu objetivo durante toda a trajetória escolar.

A VEJA, Angélica relata sua rotina intensa de estudos, o apoio fundamental da família e a emoção ao receber, uma a uma, as notícias das aprovações. Para quem compartilha o mesmo sonho de cursar a carreira médica, a jovem deixa seus conselhos: “Não deixe de confiar em você e nunca tenha vergonha de pedir ajuda.”

Desde quando existe o sonho de cursar Medicina? Desde sempre – na minha cabeça, nunca houve segunda opção. Em grande parte, é influência da minha família: todo mundo é da área de Saúde, ainda que eu seja a primeira médica. Algo que me incentivou a continuar perseguindo esse sonho aconteceu em 2017, quando uma estudante chamada Bruna Sena – uma mulher negra, como eu – passou em primeiro lugar em Medicina na USP. Meu pai imprimiu a reportagem, que eu colei na porta do meu guarda-roupa, e hoje essa visibilidade me deixa muito feliz; assim como ela me inspirou, eu posso inspirar outras pessoas.

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Como era sua rotina na escola? Eu sempre fui bem “caxias” (risos), era muito raro faltar às aulas. Eu sabia que seria difícil passar para Medicina, então aproveitava toda aula como uma oportunidade de me aproximar do meu objetivo. Cursei parte do ensino fundamental entre escolas públicas e particulares, depois fiz todo o ensino médio no Instituto Federal de São Paulo (IFSP) em Capivari. Nessa época, eu comecei também a procurar formas de estudo por fora da escola e fiz também um curso pré-vestibular, mas continuei sempre presente nas aulas, entregando as atividades e buscando um bom rendimento.

A jovem Angélica Toledo, de 18 anos, celebra a vitória da aprovação em Medicina na Unicamp e outras seis universidades
(Divulgação/Arquivo pessoal)

A mudança do ensino presencial para o EaD, durante a pandemia, afetou os estudos? Eu continuei me dedicando, mas a experiência de assistir às aulas ali no quarto, sozinha, sabendo que o mundo estava passando por um momento tão grave, é muito diferente. Às vezes era difícil me concentrar – qualquer problema, como uma falha na conexão, vira motivo de desânimo. Mas pensar que aquilo era necessário para que eu pudesse me tornar médica e ajudar pessoas no futuro, ainda mais por ver a minha família atuando na pandemia, me incentivou a ser disciplinada à distância. Até elaborei um sistema de cores para me ajudar com as matérias: verde para as atividades em que eu estava tranquila, amarela para as que precisavam de atenção e vermelha quando sabia que “lascou” e precisava correr.

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Como foi a reta final para o vestibular? No último ano, eu cheguei a considerar não fazer amigos (risos), pensando que precisava ter o melhor rendimento possível e que amizades iriam atrapalhar. Mas logo conheci algumas pessoas que estavam no mesmo barco que eu e me incentivavam a continuar… a gente chegava às 7 horas da manhã e, já durante um cafezinho, discutia como seria o cronograma do dia. Também conversávamos muito sobre as músicas do Cartola, que era conteúdo da Fuvest – reparamos que ele usava uma linguagem muito simples, mas ouvindo diversas vezes as canções, percebemos como as letras eram cheias de metáforas e tinham que ser analisadas com muita atenção.

Enfim, depois de tanto esforço, como foi receber as notícias de tantas aprovações? O resultado da Fuvest estava previsto para o dia 22 de janeiro, às 8 horas da manhã – quando li aquela palavrinha mágica, “aprovada”, minha primeira reação foi chorar e agradecer a Deus. A segunda foi ligar para os meus pais, que estavam na rua, e todo mundo chorou… foi um momento muito mágico. O bacana é que a reação foi a mesma quando passei na Unicamp e em todas as outras, veio aquela sensação de “missão cumprida” e de ter retribuído todo o apoio e o investimento que meus pais fizeram em mim.

Que dica você daria para outros estudantes que compartilham esse sonho de cursar Medicina? Eu penso em duas coisas fundamentais. A primeira é não ter vergonha alguma de pedir ajuda pra professores ou amigos – por mais inteligente ou dedicado que você seja, ninguém nasce sabendo e ninguém chega lá sozinho. A segunda coisa é não deixar de confiar em você mesmo, ou ninguém vai fazer isso por você. Parece papo de coach motivacional, mas isso é importante. Mesmo sabendo que as oportunidades não são iguais pra todos no nosso país, essa confiança é um sentimento que motiva a levantar da cama e persistir no objetivo: se fizer a sua parte, você consegue.

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