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Por José Benedito da Silva
A política e seus bastidores. Com Laísa Dall'Agnol, Victoria Bechara, Bruno Caniato, Valmar Hupsel Filho, Isabella Alonso Panho e Adriana Ferraz. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.
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‘Bolsonaro me quer como candidato’, diz Salles sobre Prefeitura de SP

Deputado quer avançar sobre eleitor de Ricardo Nunes (MDB), mas enfrenta dificuldades no próprio partido para se lançar à disputa

Por Laísa Dall'Agnol Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
3 dez 2023, 15h20

Pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, o deputado federal Ricardo Salles (PL-SP) se coloca como um postulante de Jair Bolsonaro e do chamado ‘bolsonarismo raiz’ ao posto. O ex-ministro, no entanto, enfrenta dificuldades dentro do próprio partido: o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, já declarou que pretende seguir com o apoio à reeleição do atual prefeito Ricardo Nunes (MDB) e liberou a saída de Salles para seguir com a empreitada em outra legenda. Bolsonaro, no entanto, tem feito acenos favoráveis à candidatura do ex-ministro pelo próprio partido.

Em meio ao favoritismo de Nunes e Guilherme Boulos (PSOL), que lideram as últimas pesquisas de intenção de voto, o nome de Ricardo Salles é um dos que desponta — ao lado de Tabata Amaral (PSB) — como potencial alternativa para o eleitorado paulistano.

A VEJA, o deputado falou sobre sua disputa pelo voto de direita, a procura por uma legenda para chamar de sua e o desejo de continuar no PL com a benção de Bolsonaro e de Valdemar. “Não quero fechar essa porta, na medida em que é este o partido em que estou, partido pelo qual me elegi. Se prevalecer a visão do presidente Bolsonaro, eu fico no PL. Se prevalecer a visão do presidente Valdemar, de apoiar o Nunes, eu saio do partido”, diz. Leia abaixo a entrevista completa.

O PL ainda não bateu o martelo sobre qual candidato irá apoiar na disputa à Prefeitura de São Paulo, embora Valdemar Costa Neto acene à reeleição de Ricardo Nunes. A sua candidatura está mantida? Institutos como o Paraná Pesquisas têm trazido os dados de que, se eu for candidato, com o apoio do Bolsonaro, muito provavelmente quem vai para o segundo turno com o Boulos sou eu. E essa análise foi levada ao Bolsonaro, ao Valdemar. Daí porque há um esforço muito grande do Ricardo Nunes e seu entorno para não deixar que eu seja candidato. Sei que há uma dificuldade do PL ter uma mudança de posicionamento em relação à minha candidatura (…) Tem uma margem para que o partido reveja essa decisão e me apoie, ao invés de apoiar o Nunes. Sobretudo pelo fato de que este é o desejo do Bolsonaro. O desejo dele não é que eu saia para concorrer por outro partido, é que eu saia pelo PL. Obviamente que, não sendo possível, por decisão do Valdemar, o passo alternativo é eu ter a carta para me desfiliar e concorrer por outro partido. Se esse cenário se confirma, o apoio do presidente Bolsonaro, dos deputados bolsonaristas, de todos esses que têm mais voto, vão vir para o meu lado, porque só eu que fui ministro do Bolsonaro, eu que sou o deputado mais votado da ala bolsonarista. 

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Quando será tomada a decisão sobre a mudança de partido? Essa decisão vai ser tomada esse ano, agora no mês de dezembro. 

Quais seriam as opções viáveis? Estou conversando com quatro partidos diferentes, que abriram as portas para que eu possa concorrer por lá. Não bati o martelo nem oficializei nada pelo próprio fato de que o PL não bateu o martelo. Também não quero fechar essa porta, na medida em que é este o partido em que estou, partido pelo qual me elegi, partido do presidente Bolsonaro. Se prevalecer a visão do presidente Bolsonaro, que é a de que eu seja candidato, eu fico no PL. Se prevalecer a visão do presidente Valdemar, de apoiar o Nunes, eu saio do partido.

O que falta para o PL bater esse martelo? Acho que a cada momento vai ficar mais claro que o Nunes não ganha eleição, não tem chance. E, consequentemente, esta análise objetiva, pragmática, talvez sirva de argumento mais sólido para que o Valdemar diga: o Nunes não vai ganhar e, além disso, por que, ainda por cima, vamos perder o Salles, que é um deputado de mais de 600.000 votos?

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Nos seus cálculos, o segundo turno seria então entre o senhor e Guilherme Boulos? Vão se apresentar, para o eleitor, duas visões de mundo completamente diferentes. A proposta que pretendo defender é um modelo inspirado naquele modelo feito em Nova York, na época que o Rudolph Giuliani era prefeito, de tolerância zero contra a criminalidade. Este é um modelo que tem grandes chances de vingar na cidade de São Paulo porque ninguém aguenta mais os problemas. Seja a falta de segurança, seja o problema da corrupção dos órgãos públicos. 

O apoio do governador Tarcísio de Freitas seria crucial para a sua candidatura? Acho que o Tarcísio tem um papel muito importante na cidade de São Paulo, embora o pessoal repita que quem ganhou na cidade foi o Fernando Haddad. Mas isso é uma fotografia de momento. O momento era outro, a economia estava em outra situação. O Brasil também. Isso reforça essa análise de que o Tarcísio tem uma importância grande na eleição, assim como o presidente Bolsonaro tem uma importância enorme. 

Nunes conseguiu o apoio de um arco importante de alianças: PSD, PP, Republicanos, até parte do PL. Como enfrentar isso? Apoio de máquina e de grandes caciques e legendas não é garantia de nada. Veja o que foi a eleição do Geraldo Alckmin em 2018 e a própria eleição do Rodrigo Garcia em 2022. Todos os partidos, todo o tempo de televisão, todo o dinheiro do mundo, e tanto um quanto o outro naufragaram. Já foi o tempo em que leque de alianças e estrutura político-partidária ganhavam eleições. Isso é uma lógica da velha política que já não tem mais lugar. As eleições mais recentes, a de 2018, de 2020, de 2022, mostram que o eleitor já não está preocupado com isso. Todo mundo tem acesso a internet, rede social. Aquela força enorme que os partidos tinham com tempo de televisão, aquela coisa toda, isso acabou. 

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