Morango do amor: vale como fruta ou é mais calórico que maçã do amor?
Especialista destrincha as características nutricionais do doce do momento
O morango do amor virou o queridinho das redes sociais, quermesses, festas infantis e casamentos. Visualmente atrativo, combina a fruta, o brigadeiro branco e a cobertura da maçã do amor numa versão gourmetizada que desperta encantamento, vontade de experimentar e preocupação com a ingestão exagerada. Afinal, o que podemos dizer sobre o doce em termos nutricionais?
Para começar, a receita é a seguinte: trata-se de um morango fresco envolvido por uma generosa camada de brigadeiro branco, feito geralmente com leite condensado, manteiga, leite em pó ou chocolate branco. Embora o morango seja uma fruta naturalmente rica em vitamina C, fibras e compostos antioxidantes, esses benefícios se tornam quase simbólicos diante da alta carga de açúcares simples e gorduras saturadas do doce.
Uma unidade média da guloseima pode conter entre 25 a 40 g de açúcar adicionado, o que ultrapassa facilmente a recomendação máxima diária da Organização Mundial da Saúde (OMS), que é idealmente de 25 g de açúcar livre por dia para adultos, sendo no máximo 50 g por dia para não trazer impactos negativos à saúde.
Além disso, a combinação com o açúcar adicionado do leite condensado e da calda, além da gordura saturada do brigadeiro, potencializa o impacto metabólico do doce, elevando o índice glicêmico e o valor calórico.
Para efeito de comparação entre o morango natural, o morango do amor e a maçã do amor, em questão de calorias, temos (a cada 100 g): na fruta in natura 30 kcal, no doce com morango de 280 a 320 kcal e, na maçã do amor, de 150 a 180 kcal. Quanto à presença de fibras, temos mais no morango fresco, seguido da maçã do amor e por último o morango do amor.
Ou seja, embora carregue uma fruta no centro, o morango do amor se comporta mais como uma guloseima calórica do que como um alimento funcional.
Quem deve tomar mais cuidado no consumo desse tipo de alimento? Essa lista inclui: pessoas portadoras de doenças metabólicas como obesidade, diabetes, pré-diabetes, gordura no fígado e problemas cardiovasculares, devido ao risco elevado de picos glicêmicos e alto teor de gordura saturada; crianças pequenas, devido ao excesso de açúcar em uma única porção, além do risco de preferência alimentar distorcida; pessoas em processo de emagrecimento ou reeducação alimentar, pelo aporte calórico significativo; e indivíduos sensíveis a corantes ou conservantes, que devem ter atenção redobrada às versões industrializadas e decoradas.
Existe alternativa mais saudável, claro. Uma proposta interessante é substituir o brigadeiro branco e o caramelo por uma fina camada de chocolate amargo (70% ou mais de cacau), que contém menos açúcar e mais antioxidantes. Outra sugestão é consumir o morango in natura com pequenas porções de iogurte natural, ganache de cacau sem açúcar, mel ou pasta de amendoim.
Além disso, é possível valorizar o sabor da fruta fresca com especiarias como canela ou hortelã, estimulando hábitos mais equilibrados, sem renunciar ao prazer.
Mas lembre-se: consciência é amor-próprio. A intenção não é demonizar guloseimas tradicionais, mas promover escolhas conscientes. O morango do amor pode, sim, fazer parte de uma ocasião especial.
O problema está no consumo frequente, na falsa ideia de que se trata apenas de uma frutinha adoçada e na invisibilidade de seus impactos metabólicos. Fruta adicionada de açúcar passa a ser um doce e merece moderação.
* Marcella Garcez é médica nutróloga, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e membro da Câmara Técnica de Nutrologia do Conselho Regional de Medicina do Paraná
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