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Risco de interferência de Trump no Brasil existe, mas não da maneira óbvia, diz especialista

Para cientista político, poder do presidente americano após a prisão de Nicolás Maduro amplia tensão, mas atuação tende a ocorrer de forma indireta

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 jan 2026, 14h49 • Atualizado em 9 jan 2026, 14h49
  • A prisão de Nicolás Maduro e a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela reposicionaram Donald Trump como um ator central no tabuleiro político da América Latina. O novo cenário passou a gerar apreensão entre governos de esquerda — especialmente o brasileiro — às vésperas de mais uma eleição presidencial marcada por polarização e disputas narrativas (este texto é um resumo do vídeo acima).

    No programa Os Três Poderes, o colunista Robson Bonin questionou o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da ESPM, sobre o grau de risco para a democracia brasileira diante da possibilidade de Trump usar informações sensíveis do regime chavista como arma política contra o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    O poder simbólico de Trump após a prisão de Maduro

    Para Ramirez, a prisão de Maduro conferiu a Trump uma posição simbólica poderosa diante da esquerda latino-americana. Além de se projetar como adversário direto dos governos progressistas, o presidente americano passou a ser visto como alguém que detém potenciais “segredos” da relação histórica entre o chavismo e partidos de esquerda da região.

    “Existe, sim, a narrativa de que Trump poderia, a qualquer momento, lançar acusações sobre corrupção, financiamento ilegal ou vínculos com o narcotráfico envolvendo governos de esquerda. Mesmo que essas informações não sejam checáveis, elas podem ser usadas politicamente”, afirma.

    Interferência direta ou indireta?

    Apesar do temor, o cientista político avalia que uma interferência direta de Trump no processo eleitoral brasileiro é pouco provável. O risco maior estaria numa atuação indireta, sobretudo por meio das plataformas digitais.

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    Ramirez lembra que, desde a primeira eleição de Trump, houve uma relação próxima entre o governo americano e grandes empresas de tecnologia — como Meta (dona do Facebook e Instagram) e Google. “Essas big techs tendem a, no mínimo, fazer vistas grossas para a disseminação de conteúdos falsos ou distorcidos, o que pode afetar diretamente o ambiente eleitoral”, diz.

    Por que Washington baixou o tom com o Brasil?

    Um ponto que chama atenção, segundo o professor, é a rápida reversão do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Após meses de tensão diplomática, houve reabertura do diálogo, culminando em encontros e elogios públicos de Trump a Lula, inclusive na ONU.

    “Isso tem relação direta com as pesquisas de opinião. Os Estados Unidos perceberam que Lula é favorito à reeleição. Não faz sentido romper com um provável vencedor”, analisa. Para ele, o pragmatismo americano fala mais alto do que a retórica ideológica.

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    Quando Trump recua?

    Ramirez destaca que Trump tende a recuar quando enfrenta dois fatores específicos: reação negativa da opinião pública local e discursos duros vindos de líderes latino-americanos. O caso do presidente colombiano Gustavo Petro é citado como exemplo.

    Após declarações agressivas de Trump contra a Colômbia, Petro respondeu com críticas contundentes — o que, combinado ao apoio interno, levou a um rápido distensionamento. “Quem fala grosso com Trump, muitas vezes, consegue negociar”, resume.

    O impacto sobre a democracia brasileira

    Na avaliação do cientista político, o cenário de 2026 tende a reproduzir elementos de 2022: desinformação, ataques às instituições e tentativas de deslegitimação do processo eleitoral. A diferença é o contexto internacional mais inflamado, com Trump novamente no centro das atenções.

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    “O risco existe, mas ele é mais difuso do que direto. O maior desafio para a democracia brasileira será lidar com a atuação das redes sociais e com a circulação de narrativas falsas que podem ser impulsionadas por interesses externos”, conclui Ramirez.

    Entre ameaças, recuos e pragmatismo, o Brasil entra no próximo ciclo eleitoral sob o peso de um cenário geopolítico instável — no qual a influência externa pode não decidir o jogo, mas certamente ajudará a tensioná-lo.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Os Três Poderes (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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