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José Casado Por José Casado Informação e análise

Os liberais voltam às ruas, agora no coro contra Bolsonaro

Ativistas liberais que ajudaram a impulsionar o impeachment de Dilma agora integram uma frente ampla pela queda de Bolsonaro

Por José Casado Atualizado em 12 set 2021, 04h00 - Publicado em 12 set 2021, 08h00

Moondogs tocavam na avenida Paulista. O rock era bom, o show ainda melhor — era grátis. A plateia transbordava sob os 70 metros do vão livre do Museu de Arte de São Paulo naquele domingo de chuvas ocasionais de janeiro, verão de seis anos atrás.

A cada três músicas, intervalo e aparecia alguém falando sobre passe-livre e tarifa- zero no transporte coletivo paulistano. Inviável, diziam, explicavam “o mercado” e respondiam perguntas sobre orçamento municipal, contas públicas, subsídios estatais e o dinheiro do imposto pago por cada um dos espectadores.

A aula-show foi um êxito de jovens ativistas dos liberalismo. A revista britânica The Economist constatou: “Não é mais nicho”.

Três meses depois, no início do outono, agitavam no Facebook com um recém-nascido Movimento Brasil Livre. Se juntaram a símiles, como Revoltados On Line, e rivais, como Vem Pra Rua. Numa troupe mambembe, atravessaram a pé os mil quilômetros que separam o bairro paulistano de Pinheiros e a sede do Congresso Nacional.

Levaram a Brasília um pedido de impeachment da presidente de esquerda Dilma Rousseff — contra a vontade explícita do então líder da oposição, Aécio Neves, candidato do PSDB recém-derrotado na eleição presidencial, que manobrou para ficar solitário no protagonismo. Eles persistiram, e ajudaram a impulsionar a coalizão de forças que derrubou Dilma, no ano seguinte.

Estão de volta às ruas. Hoje, pretendem protestar nas maiores cidades contra Jair Bolsonaro.

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Desta vez, clamam pelo impeachment de um presidente de direita, eleito há 34 meses na esteira do antipetismo e a bordo de uma aliança entre frações liberais e conservadoras.

Integram uma frente política, em parceria com outros movimentos (Livres e Acredito, Agora!), centrais sindicais, União Nacional dos Estudantes e uma dúzia de partidos políticos. Com planos eleitorais para 2022, PT e Psol se recusaram a participar da frente antiBolsonaro. Argumentaram com a rejeição a qualquer acordo com “golpistas” de 2015/2016. No entanto, não vetaram a participação dos seus militantes.

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Anúncio da manifestação de amanhã nas maiores cidades: união de forças díspares, do dos liberais MBL ao PDT, do Partido Novo ao PCdoB, todos contra Bolsonaro — Reprodução/VEJA

O êxito na organização dos protestos já é um fato, independente do tamanho das manifestações, e a razão é relevante: isolado no extremismo, Bolsonaro se derreteu no próprio tumulto.

Na sedução autoritária, jogou pela janela do Palácio do Planalto a chance de realizar com sucesso um governo liberal-conservador.

A melhor evidência, hoje, é a união de forças díspares (do MBL ao PDT; do Novo ao PCdoB) para gritar em coro nas ruas: “Fora Bolsonaro!”

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