Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês
José Casado Por José Casado Informação e análise

Na tarde de Ciro, fila, lotação no Planalto e mais ameaças de Bolsonaro

Não se via cena semelhante no Palácio do Planalto desde os tempos de Lula. Desta vez, o celebrado não era o presidente, mas um dos líderes do Centrão

Por José Casado Atualizado em 6 ago 2021, 00h09 - Publicado em 5 ago 2021, 09h30

Foi uma celebração sem pompa, como programado. Do lado de fora, fila de senadores, deputados, governadores, prefeitos e oficiais militares, quase todos usando máscaras. Dentro, lotação esgotada, meio milhar de pessoas. Não se via cena semelhante no Palácio do Planalto desde os tempos de Lula, que gostava de discursar três vezes ao dia, com plateia cativa.

Desta vez, foi diferente. O celebrado não era o presidente, mas um senador (licenciado) do Piauí, presidente do Partido Progressistas e um dos líderes do Centrão.

Ciro Nogueira, 52 anos, rico empresário de Pedro IIº, na serra piauiense, anunciou-se como “um amortecedor” de crises no comando da Casa Civil de Jair Bolsonaro.

O salão repleto avalizava sua condição de virtual primeiro-ministro, apoiado pelo aglomerado de duas centenas de parlamentares que, com ele, chegam ao centro do poder.

Num canto, tentando ser discreto às lentes dos fotógrafos, estava Valdemar Costa Neto, em terno cinza claro, gravata de tom roxo. Chefe do Partido Liberal, fração relevante do Centrão, ele deu a Bolsonaro a chefe da Secretaria de Governo, Flavia Arruda.

O Centrão governa, e Bolsonaro preside. Um focado no Orçamento, outro na campanha de reeleição.

Continua após a publicidade

Num gesto de reconhecimento novo ministro, o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, envolveu Ciro Nogueira num semiabraço, tímido e suficientemente desajeitado para chamar a atenção.

General aposentado, Heleno ficou famoso por ensaiar uma paródia na convenção do candidato Bolsonaro, em 2018, quando cantarolou: “Se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão…”

Ao vê-lo num quase-abraço a um dos chefes do aglomerado partidário, que publicamente repudiava, um parlamentar não resistiu: sussurrou a ideia de enviar ao ministro-chefe GSI uma “ficha de filiação” a um dos partidos do Centrão. E arrematou a ironia com a lembrança do bordão predileto do ex-presidente Fernando Collor, hoje prócer do Centrão e fiel aliado de Bolsonaro: “O tempo é senhor da razão.”

Ciro Nogueira fez um discurso-exaltação da democracia diante de um presidente seduzido pela ameaça às eleições de 2022, embora até os aliados lhe reconheçam a insuficiência de meios e de apoio, dentro e fora dos quartéis.

“É por ela que todos nós estamos aqui, presidente”, apelou o antigo aliado dos governos Fernando Henrique, Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer. “É por ela que o senhor está aqui, para cuidarmos dela, para zelarmos por ela”.

Depois, os convidados foram festejar. Bolsonaro ficou. Programara uma entrevista ao Pingo nos Is, da rádio Jovem Pan. Voltou a confrontar o Judiciário, o Supremo e a Justiça Eleitoral. Disse que pode até usar armas fora da Constituição. Ciro Nogueira não o comoveu nem o converteu, e tampouco amorteceu.

Essa ameaça, como as anteriores, é passível de variadas interpretações. Entre elas a de um golpe de Estado para impedir eleições em 2022. Se fosse possível, não haveria Congresso — muito menos o aglomerado partidário que, hoje, significa a salvaguarda de Bolsonaro para a centena de pedidos de impeachment adormecidos na gaveta de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara e o mais influente líder do Centrão.

Continua após a publicidade


Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo de VEJA. Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app (celular/tablet).

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.



a partir de R$ 39,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet. Edições de Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)