Assine VEJA por R$2,00/semana
Imagem Blog

José Casado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO

Por José Casado
Informação e análise
Continua após publicidade

Espionagem política tem efeito corrosivo entre aliados de Bolsonaro

Parlamentares temem estar na lista de espionados pelo governo a que serviam, e com objetivos obscuros. Como nos romances, não há inocentes

Por José Casado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 3 fev 2024, 22h04 - Publicado em 1 fev 2024, 08h00

O presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, pediu ao juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a lista de nomes de deputados federais e senadores vítimas de espionagem ilegal durante o governo Jair Bolsonaro.

Pacheco, advogado de profissão e senador eleito pelo PSD de Minas Gerais, argumentou ao juiz sobre violação dos direitos constitucionais à privacidade, ao sigilo das comunicações e aos dados pessoais.

Lembrou que a espionagem seria ilegal, também, por afrontar prerrogativas parlamentares, “especialmente quanto à garantia de livre exercício do mandato e do sigilo de suas fontes”.

Alegou, ainda, a necessidade de publicidade e de transparência — “fundamentos da administração pública” — para requisitar lista de nomes de deputados e senadores vitimados nas ações clandestinas da “Abin paralela” e de suas ramificações no governo Bolsonaro.

Continua após a publicidade

Não se sabe porque o presidente do Congresso restringiu seu pedido à corporação parlamentar. Não foi o único alvo, como descrevem documentos públicos da Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República e do Supremo sobre a espionagem ilegal. O presidente do Congresso esqueceu-se das outras vítimas – os sem mandato.

A documentação judiciária mostra, por exemplo, que em alguns períodos relevantes no calendário político foram intensas as operações da “Abin paralela”.

Em 60.734 registros extraídos de um único sistema de vigilância (First Mille), a polícia identificou 30.344 correspondentes a rastreamentos de pessoas na temporada de eleições municipais de 2020. É o que informa o juiz Moraes em despacho (Petição nº 12.027) autorizando busca e apreensão policial nas residências do vereador Carlos Bolsonaro.

Continua após a publicidade

Ao restringir seu pedido de identificação das vítimas ao universo parlamentar, Pacheco confirma a preocupação predominante no bloco de deputados e senadores que, por razões diversas, estiveram alinhados aos governo Bolsonaro. Temem estar na lista de espionados pelo governo a que serviam, e com objetivos obscuros.

Esse receio ajuda a explicar, em parte, o silêncio da maioria dos antigos aliados sobre a investigação da “Abin paralela” e o clã Bolsonaro.

As suspeitas se multiplicam e o efeito é corrosivo. Com ou sem lista, está difícil estancar a sangria entre antigos aliados de Bolsonaro. Como nos romances de espionagem, não há inocentes.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

O Brasil está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.