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Por Duda Teixeira
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Por que os cubanos são racistas?

A ditadura nunca permitiu a criação de uma lei proibindo o preconceito racial

Por Duda Teixeira Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 28 set 2018, 16h37 - Publicado em 6 Maio 2017, 10h46

Em Cuba, os dissidentes são frequentemente ofendidos pelas milícias governistas com palavras de cunho racial.

“Quando os guardas me pegam, eles me chamam de negra, macaca e guije (um duende negro). Eles sempre buscam aquilo que pode ferir com mais força as pessoas, mas eu resisto porque tenho orgulho de ser negra”, diz Berta Soler, dirigente do movimento Damas de Blanco, que pede a libertação dos presos políticos na ilha.

Ataques desse tipo são comuns no dia a dia. “Quando entrei no mercado Carlos III, quase não havia clientes e os empregados estavam relaxados. Um deles, uma jovem, branca, disse para outro: ‘Alerta, acabou de cair uma mosca no leite‘”, disse o cubano Juan Madrazo Luna em entrevista para o jornal Diario de Cuba. 

Um estudo de 2007 mostrou que, apesar de que dois terços da população ser negra, 80% dos cientistas e professores universitários são brancos. No primeiro escalão governamental, eles quase não aparecem.

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Barack Obama, o ex-presidente americano, não contava com a simpatia de muitos cubanos por causa de seu tom de pele. Na comunidade cubana de Miami, tampouco. Em março de 2016, quando Obama falou no Grande Teatro de Havana, causou celeuma. “Queremos que nosso encontro ajude os cubanos de ascendência africana a se levantar”, disse o democrata.

Uma das razões para que exista racismo em Cuba é que os negros nunca foram reconhecidos pelos irmãos Fidel e Raúl Castro. Para a ditadura, todos os habitantes pertenciam ao mesmo grupo, à mesma classe social, sem distinções de raça, sexo ou cor.

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“Com a revolução de 1959 divulgou-se a ideia de que não existia mais negros. Por esse motivo, a questão do preconceito nunca foi tratada em alguma lei. Não há mecanismos preventivos”, diz Raúl Borges Álvarez, advogado de 76 anos que integra o Partido pela Unidade Democrática Cristã de Cuba, que é ilegal.

 

Até hoje, a ditadura não permite qualquer associação civil que não seja em prol do governo. Grupos feministas ou em defesa dos gays também não são autorizados.

A francesa Simone de Beauvoir (1908-1986), uma das primeiras feministas, sacou isso depois de viajar para países soviéticos. Ela percebeu facilmente que as mulheres não tinham espaço no socialismo. “Os comunistas tiravam sarro de mim. Eles escreveram artigos dizendo que, uma vez que a revolução fosse feita, as mulheres seriam iguais aos homens. Mas, uma vez que isso acontece, o que se passa com as mulheres não interessa mais para eles”, disse Beauvoir.

No livro Entretiens avec Simone de Beauvoir (Mercure de France), também se lê a seguinte declaração dela: “A luta de classes propriamente dita não emancipa as mulheres. Comunistas, trotskistas e maoístas, não importa. Sempre há uma subordinação da mulher ao homem”.

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Apesar da repressão e da vigilância constante, alguns negros cubanos se juntaram na Comissão Cidadão pela Integração Racial (CIR), liderada por Juan Madrazo Luna, que deu a declaração sobre sua ida ao mercado acima. As reuniões do grupo, contudo, são constantemente canceladas pela segurança estatal. Eles são muito mais reconhecidos fora da ilha do que dentro.

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