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Coluna da Lucilia

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Delícia cremosa

A curiosa trajetória do queijo que combina com quase tudo.

Por Lucilia Diniz 21 Maio 2026, 18h04

Poucos alimentos transitam tão bem por diferentes refeições e momentos do dia quanto o cream cheese. Ele vai do café da manhã ao sanduíche rápido do fim da noite, passando por receitas doces e salgadas, das mais às menos elaboradas. Está no sushi, no cheesecake, no molho, no canapé.

Por isso mesmo, ele é um ingrediente comum na cozinha de muita gente. Mas poucos são os que conhecem sua história curiosa e bem menos “lisa” do que sua famosa textura.

O cream cheese foi inventado no fim do século XIX, quando um produtor americano chamado William Lawrence tentava reproduzir um queijo francês antigo, o Neufchâtel, tradicional da Normandia. Nessa tentativa, ele acabou chegando a algo diferente.

Conta-se que Lawrence exagerou na quantidade de creme e criou por acidente aquela consistência aveludada que conhecemos hoje. Pode ser verdade ou apenas mais uma boa lenda gastronômica, dessas que são abundantes no mundo da culinária. O fato é que o resultado obtido por aquele queijeiro de Nova York agradou.

Pois é: Nova York. O nome “Philadelphia”, com que o queijo se eternizou, não aponta para o seu berço. Isso foi obra do marketing. Os laticínios da cidade no estado vizinho da Pensilvânia tinham fama por sua alta qualidade, e alguém percebeu que aquilo ajudaria a vender mais. A estratégia pegou tão bem que até hoje muita gente pensa que o queijo nasceu por lá.

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A Pensilvânia, aliás, era um berço da industrialização nos Estados Unidos, processo que, naquele momento, estava acelerado. Isso veio muito a calhar para um queijo fresco produzido em escala: havia ferrovias para a distribuição e refrigeração para que o transporte fosse seguro, permitindo que ele se espalhasse de uma costa à outra do país.

Nas delicatessens judaicas de Nova York, encontrou o bagel, que os imigrantes do Leste Europeu costumavam consumir nas suas terras natais de forma mais simples. Entrou no recheio o salmão defumado, e o resultado é uma das combinações mais clássicas da cozinha americana. Na Califórnia, encontrou outro prato trazido por estrangeiros, o sushi.

Mas ele também redefiniu um clássico tipicamente americano, o cheesecake. O doce, que antes era feito com queijos mais granulosos, como ricota, cottage ou quark, ganhou com o cream cheese a textura densa e macia que hoje o caracteriza.

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Se formos definir o cream cheese por uma característica, seria essa capacidade de se encaixar em diferentes receitas. Ele suaviza sabores, dá cremosidade, estabiliza recheios e melhora quase tudo sem chamar atenção demais para si. É uma qualidade rara.

Eu mesma gosto de usá-lo tanto em receitas salgadas quanto em versões mais leves de sobremesas. Hoje já existem opções light, sem lactose e até versões vegetais. O cream cheese foi mudando com o tempo, mas sem perder aquilo que o tornou popular desde o começo: a capacidade de transformar quase qualquer coisa em algo mais confortável.

Hoje, pouco importa que a história sobre sua criação seja imprecisa, ou que sua “denominação de origem” seja falsa. Uma coisa quanto a ele é inequivocamente verdadeira: seu sucesso. Alguns ingredientes sobrevivem por suas qualidades intrínsecas; outros porque atingem um lugar nos hábitos de consumo. O cream cheese conseguiu a proeza de unir as duas coisas.

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