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Clarissa Oliveira Notas sobre política e economia. Análises, vídeos e informações exclusivas de bastidores

Como a briga interna do PT virou a nova pedra no sapato de Lula

Após freio de arrumação no discurso, petista deve se dedicar nos próximos dias a reformular o núcleo da campanha para estancar a briga interna do PT

Por Clarissa Oliveira Atualizado em 9 Maio 2022, 15h35 - Publicado em 9 Maio 2022, 09h10

O lançamento da pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, no último sábado, cumpriu todos os objetivos almejados pelo PT. Os tropeços das últimas semanas foram substituídos por um discurso cuidadosamente preparado, lido em toda sua extensão – algo raro no script do ex-presidente. Lula exaltou a união de forças contra o presidente Jair Bolsonaro, deu as linhas gerais do que pretende incluir em seu programa de governo, mas não deixou de contemplar a militância. Nada fugiu do combinado. O rumo da porta para fora foi corrigido. Mas o desafio agora está dentro de casa.

+Leia mais: Lula passou recibo e entregou munição de mão beijada ao bolsonarismo

Aliados do ex-presidente esperam para os próximos dias uma reformulação geral da equipe que dá as cartas na campanha. Não haverá necessariamente um troca-troca. Mas a avaliação é de que Lula dará internamente um recado claro sobre quem ali deve ter voz para decidir e quem vai executar o que for decidido.

Não é uma tarefa simples. A briga interna é e sempre foi ferrenha dentro do PT, com fogo amigo para todos os lados. A disputa vai muito além da bateção de cabeça que abriu uma crise na comunicação e terminou na decisão de substituir Franklin Martins – esta uma pendência já resolvida. Integrantes do time de Lula têm custado a se entender sobre outros assuntos, como a linha do programa de governo e a relação que o ex-presidente deve ter com o mercado financeiro.

Há quem defenda uma campanha voltada à reconquista do empresariado e de viés pragmático. Há quem diga que o melhor é reforçar o confronto com o presidente Jair Bolsonaro e apostar numa campanha emocional. Há quem reclame que Lula ouve demais quadros históricos do partido, que, dizem as más línguas, custam a compreender o poder da comunicação digital e fazem campanha como se fazia em 2002. Toda vez que algo dá errado, tem alguém ali que grita: “Eu bem que avisei”.

Lula, segundo interlocutores, dificilmente abrirá mão de ter entre seus homens de confiança alguns dos petistas que fazem parte do grupo apelidado internamente de “República dos Compadres”. Há a expectativa de que quadros como Luiz Dulci e Paulo Okamotto fiquem onde estão. O prefeito de Araraquara, Edinho Silva, e o ex-presidente do PT Rui Falcão, recém-indicados para comandar a comunicação, também são frequentemente citados como nomes que serão referendados por Lula diante da briga interna. Do outro lado, além de Franklin Martins, outro que virou alvo de críticas internas é Aloizio Mercadante. Mas este último, ao menos pelo que se ouve até agora, deve seguir tendo um papel na campanha.

Um ponto dessa reformulação será definir com mais clareza o papel de representantes de partidos aliados nas discussões. Lula já incorporou ao comitê de campanha nomes como Randolfe Rodrigues (Rede) e Carlos Siqueira (PSB). Mas as atenções se voltam muito mais para aquelas opiniões que Lula ouve informalmente. É o caso de Renan Calheiros, cabo eleitoral declarado do ex-petista no MDB. Outro que pode passar a ser ouvido com mais frequência nessa condição é Gilberto Kassab, que caminha para a neutralidade do PSD no primeiro turno, mas aponta na direção de Lula numa segunda etapa de votação.

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