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Ser informado que quadro é falso muda resposta do cérebro

Mesmo que peça artística seja verdadeira, informação altera resposta cerebral

Pesquisadores da Universidade de Oxford (Inglaterra) colocaram 14 participantes em um aparelho de ressonância magnética e mostraram imagens feitas pelo pintor holandês Rembrandt. Algumas pinturas eram autênticas, outras imitações convincentes feitas por diferentes artistas. Nenhum participante conseguiria distinguir entre as pinturas falsas e verdadeiras. Contudo, quando os médicos anunciavam que determinada imagem era falsa, mesmo ela sendo verdadeira, a resposta do cérebro dos participantes era alterada. O método foi igualmente efetivo, independente da autenticidade da peça.

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REMBRANDT

O pintor Rembrandt Harmenszoon van Rijn é considerado um dos maiores nomes na história da arte europeia. Nasceu em 1606 na cidade de Leiden e morreu em 1669 em Amsterdã. Os cientistas escolheram peças de Rembrandt porque estudos recentes determinaram que foram feitas muitas cópias do trabalho do pintor.

“Nossos resultados mostram que os historiadores da arte, críticos e o público em geral sempre estiveram certos: é sempre melhor acreditar que aquilo que estamos vendo é verdadeiro”, disse Martin Kemp, professor emérito de história da Arte na Universidade de Oxford. “O estudo mostra que a forma como vemos a arte não é racional, e que mesmo quando não conseguimos distinguir entre dois trabalhos, o conhecimento que temos sobre determinado artista nos faz reagir de formas diferentes”.

Quando um participante escutava que um quadro era genuíno, a atividade aumentava na parte do cérebro que lida com eventos de gratificação, como provar uma comida saborosa ou vencer uma aposta. Por outro lado, ouvir que o quadro era falso desencadeava uma série complexa de respostas em áreas do cérebro envolvida com o planejamento e novas estratégias. Posteriormente, os participantes informaram que eles tentavam identificar por que especialistas não consideravam a peça verdadeira.

O psicólogo Andrew Parker, autor sênior do estudo, disse: “Nossos resultados apoiam a ideia de que quando julgamos a aparência de alguma coisa, estamos sujeitos a uma variedade de influências. Isso sugere que diferentes regiões do cérebro interagem juntas quando um formamos um julgamento complexo, em vez de existir uma única área no cérebro que lida com julgamento estético”.