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‘Science’: planeta vive era de extinção de animais

Edição especial da revista científica alerta que, nos últimos 500 anos, 322 espécies desapareceram

Por Da Redação - Atualizado em 6 maio 2016, 16h11 - Publicado em 25 jul 2014, 18h26

O planeta está vivendo uma era de extinção animal, alerta uma série de estudos publicados em uma edição especial da revista Science sobre o tema. De acordo com as pesquisas, nos últimos 500 anos, 322 espécies desapareceram. A maior parte das populações de invertebrados (como besouros ou borboletas) monitorados pelos cientistas sofreu um declínio de 45% desde os anos 1970. No mesmo período, os vertebrados tiveram uma queda populacional de 30%. Essa “desfaunação” – termo adotado pelos pesquisadores para caracterizar a onda de desaparecimento animal – seria um dos principais componentes para a sexta extinção em massa da história da Terra.

As evidências sugerem que a maior parte da perda dessa fauna é causada pela ação humana, o que pode ter consequências como aumento do número de casos de doenças, além do óbvio declínio da biodiversidade.

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“No Brasil, as florestas ‘desfaunadas’ por grandes mamíferos, como porcos-do-mato ou veados, tem uma explosão populacional de roedores. Algumas espécies são reservatórios de hantavírus, altamente mortal em humanos. E os casos já começaram a aumentar entre nós”, disse ao site de VEJA o biólogo Mauro Galetti, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e autor de um dos estudos. “Desde que o homem está na Terra, a taxa de desmatamento, a poluição e a caça aumentaram muito, e estão fazendo o número de indivíduos de muitas espécies desaparecer.”

Além da transmissão de doenças, o número menor de animais também prejudica a polinização das plantas, a qualidade da água (por conta da diminuição que espécies fundamentais para o crescimento da mata ciliar) ou o controle de pragas. “Quando falamos em proteger os animais, estamos falando em proteger espécies que têm um papel fundamental no bem-estar humano”, diz Galetti.

Pandas e felinos – Os pesquisadores comentam que a extinção de animais carismáticos como pandas ou tigres pode ter encoberto a importância do desaparecimento de espécies importantes como os insetos, que são fundamentais para o balanço ecológico. E alertam que a ‘desfaunação’ atinge mesmo as grandes áreas protegidas. A caça tem papel importante no desaparecimento de animais maiores, mas a competição por habitat, alterações climáticas e doenças entre os animais também contribuem para a morte das espécies.

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“A prevenção do declínio das espécies vai exigir uma compreensão melhor de quem está ganhando ou perdendo na luta pela sobrevivência. Por meio do estudo dos vencedores, poderemos aplicar o que eles nos ensinaram em projetos de conservação”, afirma Ben Collen, da Universidade College London, na Inglaterra, e autor de uma das pesquisas. “E também precisamos trabalhar com os governos na criação de políticas capazes de reverter as tendências que estamos vendo.”

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