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Pesquisa identifica proteína capaz de detectar bactérias nocivas

Entender como é realizado o reconhecimento de invasores causadores de doença pode levar a novas estratégias de tratamento de infecções

Por Da Redação - Atualizado em 6 maio 2016, 16h45 - Publicado em 27 fev 2012, 10h42

Milhões de bactérias consideradas boas vivem harmoniosamente dentro e fora do corpo humano saudável. Mas existem também as nocivas, chamadas de patogênicas, que precisam ser eliminadas do organismo. Quando estes invasores causadores de doença ameaçam, o sistema imunológico precisa mandar glóbulos brancos para destruí-los.

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MACRÓFAGO

O organismo possui um amplo mecanismo de defesa. Os macrófagos exercem importante função nesse setor, protegendo o corpo humano contra infecções. Eles são células de grandes dimensões que eliminam elementos estranhos ao organismo humano. Suas células são compostas de diversos receptores, que distinguem as moléculas que fazem parte das que são alheias ao corpo, além de definir quais são boas e quais são nocivas.

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A forma como esses glóbulos brancos conseguem distinguir as bactérias boas das ruins foi estudada por uma equipe de pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos. Os cientistas se focaram na célula conhecida como macrófago, a primeira no sistema imunológico a detectar e eliminar as bactérias prejudiciais.

A pesquisa conseguiu identificar uma proteína específica nas células dos macrófagos. A chamada NLRP7 não só distingue o que é e o que não é bactéria, como consegue definir se a bactéria é ou não prejudicial ao ser humano.

Segundo Sonal Khare, uma das autoras da pesquisa publicada na revista Immunity, identificar tal molécula não foi um trabalho fácil, já que a família de proteínas no interior de macrófagos é vasta. “Havia 22 candidatos prováveis. Tivemos que remover cada um deles separadamente”, diz Khare. Por meio do processo de eliminação, a equipe conseguiu identificar a NLRP7 como a proteína capaz de distinguir as bactérias nocivas.

“O organismo possui aquilo que chamamos de receptores de padrões moleculares; eles funcionam como anteninhas com seletividade que capturam determinados padrões e permitem diferenciar o que faz parte do que é estranho ao corpo humano”, explica, em entrevista ao site de VEJA, o Dr. Luis Eduardo Coelho Andrade, diretor científico da Sociedade Brasileira de Reumatologia. “A NLRP7 é um tipo de receptor de padrão molecular, porém mais refinado, já que reconhece bactérias patogênicas”, diz Andrade.

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Estudos anteriores já haviam começado a identificar padrões moleculares e tipos de receptores. Mas a descoberta de uma proteína com tal particularidade é uma novidade para a ciência. Segundo Dr. Luis Andrada, entender como é feito o reconhecimento desses intrusos mortais pode levar a novas estratégias de tratamento para o combate de infecções e doenças inflamatórias idiopáticas, ou seja, sem origem conhecida.

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