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‘Pequena Pompeia’ é descoberta na França

Segundo arqueólogos, é maior descoberta de um sítio romano dos últimos 50 anos. Local às margens do Rio Rhône abriga ruínas de luxuosas moradias do século I

Por Da redação Atualizado em 4 ago 2017, 16h18 - Publicado em 4 ago 2017, 09h32

Arqueólogos franceses descobriram um antigo sítio romano nas margens do rio Rhône, sudeste da França, que está sendo descrito como “pequena Pompeia“. O local abriga restos de luxuosas moradias e prédios públicos muito bem conservados.

“Somos muito sortudos, esta é, sem dúvida, a escavação mais excepcional de um sítio romano dos últimos quarenta ou cinquenta anos”, afirmou Benjamin Clément, o arqueólogo que dirige a escavação em Sainte-Colombe, cerca de 30 quilômetros ao Sul da cidade de Lyon.

  • “Pequena Pompeia”

    Os vestígios fazem parte de Vienne, cidade francesa que, na Antiguidade, durante o domínio de Roma, se estendia por ambos os lados do rio e abriga, até hoje, um rico patrimônio gaulês-romano. Eles foram descobertos durante uma escavação que preparava o terreno para a construção de um complexo residencial.

    O sítio está sendo considerado “excepcional” devido a seu tamanho incomum – quase 7.000 metros quadrados em uma área urbana –, pela diversidade dos vestígios descobertos e seu bom estado de conservação, segundo Clément. No local, em que há ruínas de moradias que datam do século I d.C, teria sido habitado durante cerca de três séculos, antes de ser abandonado por seus habitantes devido a vários incêndios.

    “Foram os incêndios sucessivos que permitiram conservar o sítio depois que seus habitantes fugiram, transformando a área em uma ‘pequena Pompeia'”, afirmou Clément.

    Arqueólogo trabalha no sítio arqueológico de Sainte-Colombe, perto de Vienne, Sudeste da França. Jean-Philippe Ksiazek/AFP

    Entre as estruturas que sobreviveram figuram os restos de uma residência luxuosa que foi batizada como a “Casa dos Bacanais”, pelo seu pavimento em mosaico que representa uma procissão de fieis em homenagem a Baco, o deus romano do vinho. As chamas consumiram o primeiro andar, o teto e a varanda desta suntuosa moradia que contava com balaustradas, ladrilhos de mármore, amplos jardins e um sistema hidráulico, mas partes da estrutura sobreviveram. Os arqueólogos acreditam que a casa pertencia a um comerciante rico.

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    “Poderemos restaurar esta casa do chão até o teto”, disse Clément.

    Em outra casa, um mosaico representa Tália, a musa do teatro e da comédia, seminua, sendo sequestrada por um luxurioso Pã, o deus dos bosques. Os mosaicos estão sendo removidos com muito cuidado e levados para ser restaurados. No futuro, poderiam ser exibidos no museu gaulês-romano de Saint-Romain-en-Gal, em Vienne.

    Escola de Filosofia

    Entre outras descobertas se encontra um grande edifício público, construído no lugar de um antigo mercado, com uma fonte monumental adornada com uma estátua de Hércules. Clément acredita que este edifício poderia ter abrigado uma escola de filosofia. “Sabemos graças a inscrições que existia uma escola muito importante em Vienne. Pode ser que a tenhamos localizado”, disse o arqueólogo.

    As escavações, que começaram em abril, deveriam terminar em meados de setembro, mas o Estado francês as estendeu até o final do ano devido às descobertas. Nos próximos meses, a equipe de vinte arqueólogos escavará em partes mais antigas do sítio e explorará uma zona que contém oficinas.

    “Escavando um pouco mais, descobriremos provavelmente outras estruturas incríveis”, afirmou Clément.

    (Com AFP)

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