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Exame de sangue poderá detectar Alzheimer precocemente

De acordo com os pesquisadores, marcador pode ajudar na criação de exames de rotina a baixo custo. Nos primeiros testes, o índice de acerto foi de 80%

Um novo método não invasivo e de baixo custo se mostrou eficiente na detecção precoce da doença de Alzheimer. Publicado nesta terça-feira no periódico Molecular Psychiatry, o estudo conseguiu identificar um marcador biológico presente no sangue que é detectado antes dos primeiros sintomas da doença. Com a detecção precoce, dizem os pesquisadores, será possível desenvolver terapias que ajudem a retardar o início do Alzheimer.

Para tentar encontrar uma alternativa mais viável, a equipe da pesquisadora Samantha Burnham mediu os níveis de biomarcadores (substâncias que indicam a presença da doença) no sangue de pacientes com alta concentração de beta amiloide neocortical (NAB), em comparação àqueles com baixa concentração dessa mesma substância. É conhecida a relação entre NAB e a doença de Alzheimer, mas aferição deste indicador é cara e invasiva, uma vez que exige biópsia do cérebro.

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Os dados coletados foram usados para gerar um modelo de predição do NAB, que mostrou um índice de acerto de 80%. De acordo com os pesquisadores, o resultado pode ajudar no desenvolvimento de testes de rotina a um custo baixo, que seriam usados como uma ferramenta para detecção precoce de pessoas em risco de desenvolver o Alzheimer. Com um resultado positivo desse primeiro teste, haveria, então, justificativas para a realização de testes mais invasivos e caros, além de permitir intervenções precoces de terapias específicas para a doença.

Opinião do especialista

Ivan Okamoto

Neurologista, coordenador do Instituto da Memória da Universidade Federal de São Paulo

“Encontrar esses marcadores biológicos que denunciam a doença até 15 anos antes dos sintomas é algo como a busca do Santo Graal. Mas esse não é o primeiro estudo nesse sentido. Muito tem se feito no sentido de conseguir identificar precocemente a evolução do Alzheimer. Há pesquisas, por exemplo, que tentam identificar quais são as substâncias que atrasam a morte neuronal. O estudo é promissor, mas será preciso que ele seja replicado algumas vezes, em populações grandes, para que sua eficácia seja realmente comprovada.”