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Europeus pretendem construir ‘aldeia internacional’ na Lua

Diretor-geral da Agência Espacial Europeia (ESA) defende a edificação de uma “vila” iniciada por robôs que seria base para novas missões espaciais

A Agência Espacial Europeia (ESA) quer construir uma audaciosa “aldeia lunar” internacional, que seria edificada por robôs e permitiria o retorno do homem ao satélite após décadas de ausência – a última viagem até lá aconteceu em 1972.

Johann-Dietrich Woerner, o novo diretor-geral da ESA, defendeu sua proposta diante dos cientistas reunidos durante o 66º Congresso Internacional de Astronáutica (IAC, na sigla em inglês), organizado em Jerusalém na última semana. O projeto já havia sido mencionado por Woerner em entrevista à rede britânica BBC, pouco após ser empossado, em julho.

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“A expressão ‘Aldeia Lunar’ não quer dizer que vamos construir na Lua um povoado com escolas, igrejas, casas”, explicou Franco Bonacina, porta-voz da ESA, à agência France-Presse. “É um conceito que prevê uma participação internacional para realizar missões diversas e variadas na Lua, talvez no lado escuro”. As instalações não ficariam concentradas em um único local, mas poderiam se espalhar por toda a superfície do satélite.

Apesar do anúncio, ainda não há nenhum documento que descreva os detalhes do programa, nem lançamento oficial de uma missão com o objetivo começar as construções.

Base lunar – Woerner, que foi chefe da Agência Espacial Alemã, parte da constatação de que a aventura da Estação Espacial Internacional (ISS) lançada em 1988 deve ser concluída até 2024. A ideia da ESA é reunir a comunidade científica internacional e pensar nas próximas missões – elas poderiam incluir a construção de uma base na Lua que serviria como apoio para viagens mais distantes pelo espaço. De acordo com Bonacina, a China, que não participa na Estação Espacial Internacional, mas tem um programa lunar ambicioso, “seria bem-vinda”.

Desde que o homem deu seu primeiro passo na Lua, em 21 de julho de 1969, durante o programa americano Apollo, detalhes do satélite começaram a ser conhecidos pelos astrônomos. A partir dos anos 1990, várias sondas foram enviadas ao redor da Lua, incluindo a europeia SMART1, em 2003. O objetivo era estudar a superfície e composição da Lua.

Segundo Bernard Foing, principal pesquisador da missão SMART1 e diretor do Grupo Internacional para a Exploração Lunar (ILEWG, na sigla em iglês), a construção da base no satélite seria um plano progressivo, que se iniciaria com missões enviadas para a órbita da Lua.

“Haveria uma etapa de aldeia robótica. Depois uma etapa de estação habitada. E isso também nos permitirá preparar expedições ainda mais distantes”, disse à agência France-Presse.

Segundo ele, um marco importante seria a missão Orion, da Nasa, da qual a ESA participa. A previsão é que entre 2021 e 2023, a cápsula transporte quatro astronautas ao redor da Lua – o objetivo final é levar humanos para Marte. A ESA colabora também com a missão russa Lua 27, prevista para 2020. O projeto prevê o envio de uma sonda para explorar as regiões polares da Lua, onde há depósitos de gelo.

“No polo Sul localizamos locais que contêm gelo no subsolo, regiões muito bem iluminadas e oferecem uma boa possibilidade de comunicação”, disse Foing. De acordo com a ESA, água e comunicação são os ingredientes fundamentais para a instalação de uma base habitada no espaço.

(Da redação)