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Coronavírus: pesquisadores criam equipamento para limpar ar contaminado

Iniciativa quer levar dispositivo móvel a hospitais de campanha, UTIs e outras áreas de atendimento médico

Por Jennifer Ann Thomas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 7 abr 2020, 17h43 - Publicado em 6 abr 2020, 18h15

No ano passado, a Biotecam, uma startup de biotecnologia ambiental, começou a testar um equipamento desenvolvido para auxiliar na limpeza de águas poluídas. O dispositivo é uma espécie de pulmão para corpos hídricos, como lagoas, lagos e até mesmo tanques de estações de tratamento de efluentes. A ideia é oxigenar a água e trazer vida de volta a um local poluído. Para o primeiro teste, o ponto escolhido foi o lago do Parque Burle Marx, em São Paulo. Enquanto o aparelho ficou submerso, a água, que estava verde e sem peixes, começou a se tornar mais pura, com peixes e pássaros ao redor. Em meio à pandemia causada pelo coronavírus, a tecnologia será usada para purificar o ar de locais com aglomeração de pessoas contaminadas pela Covid-19.

A funcionalidade do equipamento por si só não é novidade — há outros aparelhos que realizam a mesma função. A diferença apresentada pela startup ao mercado é que a solução reduz em 50% a demanda de energia para executar o trabalho. Com a chegada da Covid-19, a ideia para despoluir as águas começou a ser adaptada para limpar o ar e devolvê-lo ao ambiente sem a presença do coronavírus. A iniciativa é desenvolvida em parceria com o Instituto Federal Fluminense (IFF), localizado em Campos, no Rio de Janeiro, e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). 

Basicamente, o sistema absorverá o ar em hospitais de campanha, UTIs ou outras unidades de saúde. O material passará por um reservatório onde será filtrado com uma solução desinfectante, que pode ser composta por água sanitária. Após esse processo de limpeza, o ar é oxigenado e devolvido ao ambiente — estima-se que o nível de desinfecção seja acima de 95%. De acordo com o diretor do polo de inovação do IFF, Rogério Atem, o sistema não funcionará como um aspirador de pó, que conseguiria sugar o vírus de superfícies sólidas, como maçanetas e mesas. A ideia é reduzir a contaminação que pode acontecer pelas gotículas que se dissipam no ar pela fala, tosse ou espirros de pessoas contaminadas e que ficam aglomeradas em áreas de atendimento hospitalar. Há estudos que indicam a suspensão de microgotículas no ar por até 20 minutos.

“O pico ainda não chegou e, com os hospitais de campanha, queremos oferecer uma solução que ajude no atual momento. É uma forma de reduzir a transmissão e dar mais tranquilidade a quem trabalha nesses ambientes”, explicou Atem. “Quando a transmissão do coronavírus se consolidou no Brasil, percebemos que poderíamos fazer um processo similar ao de limpeza da água, mas com outro objetivo”, afirmou. Para um hospital de campanha, o custo estimado para fabricar o equipamento é de 50.000 reais. Como a pesquisa tem base em um produto que já estava desenvolvido, a perspectiva é que a iniciativa fique pronta em dois meses.

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