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Como uma paciente de câncer, infértil devido ao tratamento, pôde dar à luz

Trata-se da primeira mulher a ter um bebê saudável depois de óvulos imaturos serem desenvolvidos e congelados

Por Sabrina Brito - 19 fev 2020, 17h00

Em Clamart, cidade perto da capital francesa de Paris, o nascimento de um menino chamado Jules ja é considerado um novo marco da ciência. A mãe do recém-nascido se tornou infértil depois do tratamento para câncer, mas conseguiu gestar a criança após seus óvulos serem coletados, amadurecidos em laboratório e congelados até serem implantados de volta em seu corpo cinco anos depois que se recuperou da doença.

O caso divulgado nesta quarta-feia (19), no periódico científico Annals of Oncology, descreve a primeira vez em que óvulos amadurecidos artificialmente e depois congelados resultaram em um bebê saudável. Sem ter condições de saúde para engravidar, os médicos logo perceberam que a fertilização in vitro comum seria inviável neste caso, já que o uso de hormônios, que é o padrão nesse tipo de procedimento, poderia acelerar o crescimento do tumor.

Dos sete óvulos colhidos, seis sobreviveram intactos ao processo de congelamento por nitrogênio. Eles foram então fertilizados por injeções de esperma, e apenas um deles se tornou um embrião saudável, o qual culminou no bebê Jules, nascido no dia 6 de julho de 2019. Sua mãe tinha 34 anos.

De acordo com os médicos envolvidos, o processo não foi exatamente eficaz: afinal, apenas 14% dos óvulos vingou. Vale lembrar também que há riscos a longo prazo, caso o tumor da mãe tenha se infiltrado nos tecidos do ovário. Ainda assim, o procedimento é uma alternativa viável para pacientes com certos tipos câncer. Mais duas mulheres que passaram por tratamentos contra o câncer estão grávidas depois de passar pelo mesmo processo.

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