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Como o excesso de ‘chapinha’ danifica o cabelo

Pesquisa da USP descobriu que todos os tipos de cabelo têm a estrutura interna e externa dos fios prejudicada pelas altas temperaturas do equipamento

Por Da redação - 18 ago 2017, 10h36

Quem utiliza a ‘chapinha’ para modelar os cabelos percebe na prática que o excesso de calor da prancha térmica pode enfraquecer os fios. Uma nova pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) revelou como o equipamento age na estrutura capilar e torna os fios mais frágeis, porosos (quebram com facilidade) e sem uniformidade. De acordo com o estudo, em todos os tipos de cabelo, as altas temperaturas são capazes de desnaturar as proteínas dos fios e danificar a estrutura externa e interna – cabelos do tipo afro são os mais sensíveis aos dispositivos.

Segundo Cibele Lima, pesquisadora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas responsável pela análise, quando o equipamento atinge temperaturas acima de 236°C, o cabelo sofre perda estrutural das proteínas, em um processo chamado ‘desnaturação’. Acima de 250°C, os danos são irreversíveis.

“O calor desnatura a queratina helicoidal, que é a proteína que confere resistência e elasticidade aos cabelos”, afirmou a pesquisadora.

Todos os tipos de cabelo

Para analisar como as pranchas térmicas atingem o cabelo, Cibele recolheu mechas de cabelos que não passaram por processos químicos em várias regiões do globo e os dividiu em três grupos: caucasiano (de pessoas de origem europeia), oriental (indivíduos do Japão, China e Coreia); e afro (pessoas da África do Sul e Gana). Em seguida, submeteu as mechas a diferentes temperaturas para verificar o resultado.

O cabelo oriental, por ter diâmetro maior, foi o mais resistente às altas temperaturas, enquanto o afro, por ter uma estrutura delicada e apresentar diâmetro do fio irregular, foi o mais sensível – ele perdeu as proteínas cerca de 10°C abaixo das demais mechas, a 223°C.

Pesquisa com cabelos
Pesquisa foi realizada com cabelos de várias etnias: oriental, caucasiana e afro. Cecília Bastos / USP Imagens/Divulgação

De acordo com o estudo, o excesso de calor aumenta a porosidade dos fios, danifica a cutícula (parte externa) e, em seguida, o córtex (parte interna). Os prejuízos foram diretamente proporcionais à temperatura e ao tempo de permanência da prancha em contato com os cabelos.

A pesquisadora também analisou mechas que passaram por processos de descoloração e foram submetidas à chapinha e o resultado foi ainda mais drástico: as cutículas se abriram e o cabelo se tornou extremamente quebradiço.

Como proteger

De acordo com a pesquisadora, os protetores térmicos disponíveis no mercado não evitam os danos, mas são capazes de diminuí-los. Produtos do tipo leave-on (que não recomenda enxague após a aplicação) são mais eficazes em cabelos sem química. Já para os cabelos descoloridos, o mais indicado são os protetores à base de silicone, que formam uma película em volta do fio que o protege.

Também é importante calcular o tempo em que os fios ficarão submetidos ao calor, para diminuir os prejuízos aos fios, segundo Cibele.

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