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Ciência explica por que as conspirações estão destinadas ao fracasso

O físico David Grimes, da Universidade de Oxford, construiu uma equação para verificar por quanto tempo complôs podem durar até serem revelados

Por Da Redação - Atualizado em 6 maio 2016, 15h59 - Publicado em 1 fev 2016, 16h43

Uma conspiração dificilmente fica em segredo por muito tempo. De acordo com os cálculos do físico David Grimes, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, ela tende a ser revelada em média após quatro anos – alguém provavelmente fará uma delação e entregará o complô. Se nenhuma informação “vazar”, não havia conspiração alguma.

O objetivo do estudo, publicado na revista científica Plos One, na última semana, era analisar a viabilidade de algumas “conspirações da ciência”. Grimes também trabalha como jornalista científico e estava intrigado com as dúvidas de leitores a respeito de supostos complôs que seriam perpetuados por pesquisadores como, por exemplo, o de que as vacinas fariam mal à saúde.

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Equação do complô – Para descobrir como se forma e se perpetua uma conspiração, Grimes fez um cálculo com base em três fatores: o número de conspiradores, o período de tempo que se passou desde a conspiração e a possibilidade de o conluio ser revelado. Essas três variáveis foram aplicadas a quatro supostas conspirações: a farsa da chegada do homem à Lua, a ideia de que as mudanças climáticas seriam uma fraude, o boato de que as vacinas prejudicam a saúde e a alegação de que a indústria farmacêutica conhece a cura do câncer, mas a esconde da população.

Quanto mais tempo se passa depois da “conspiração” e quanto mais pessoas têm conhecimento do segredo, menor é o tempo até que um delator apareça e acabe com o esquema. A teoria de que o pouso na Lua não aconteceu teria envolvido 411.000 pessoas; a fraude das mudanças climáticas, 405.000; a ideia de que as vacinas fazem mal à saúde, de 22.000 (apenas a Organização Mundial da Saúde e o Centro para Controle e Prevenção de Doenças americano) a 736.000 pessoas (incluindo as companhias farmacêuticas); o boato de que a cura do câncer está encoberta pela indústria, 714.000 pessoas.

Cruzando os dados, por meio de uma equação chamada distribuição de Poisson, que calcula a probabilidade de um evento acontecer em um período de tempo, Grimes verificou que se verdadeiras, as quatro conspirações analisadas por ele já deveriam ter sido reveladas há muito tempo. A farsa da chegada do homem à Lua teria se tornado pública 3,7 anos depois que surgiu e a crença de que a cura do câncer já existe, mas é impedida de avançar pelas indústrias farmacêuticas, seria aniquilada em 3,2 anos. Já a crença de que o aquecimento global não existe seria desmascarada em um período de 3,7 anos a 26,8 anos e a conspiração das vacinas duraria entre 3,2 anos e 34,8 anos. Se a delação ainda não aconteceu, é possível que a conspiração não exista.

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“A teoria apresentada neste estudo pode ser útil para sabermos as possíveis consequências de falsas narrativas e examinarmos as condições em que estas conspirações podem surgir”, afirmou o físico no estudo.

‘Conspiração científica’ – De acordo com Grimes, enquanto acreditar que o homem não chegou à Lua pode não fazer mal à saúde, a crença de que as vacinas causam doenças pode ser fatal. Como o rigor científico costuma ser alto, é altamente improvável que uma conspiração feita por pesquisadores se mantenha por longo tempo.

“Embora acredite que seja difícil mudar a opinião dos convictos, espero que esse artigo seja útil para aqueles que têm dúvidas sobre a possibilidade de cientistas perpetuarem, ou não, um boato”, disse o físico à BBC.

(Da redação)

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