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Carta ao Leitor: A beleza de viver mais

Estudos recentes revelam um avanço muito palpável — a oportunidade da maturidade sã, com amigos, dignidade e alegria

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 set 2023, 06h00 | Atualizado em 4 jun 2024, 09h47

A vida eterna é um desejo irrefreável do ser humano. Há 2 000 anos, o imperador Qin Shi Huang, o primeiro da dinastia Qin, na China, tentou alcançar a imortalidade ao ingerir pílulas de mercúrio. Ironicamente, morreu envenenado. No século XVI, o conquistador espanhol Juan Ponce de León (1460-1521) navegou em sucessivas expedições que buscavam a fonte da juventude. Como se sabe, ele não a encontrou. Nos últimos 100 anos, contudo, com a descoberta da penicilina, a melhora no saneamento básico e os espetaculares avanços da medicina e da alimentação, houve saltos extraordinários. Em 1900, a expectativa média de vida nos Estados Unidos era de 47 anos. Hoje é de 78 — no Brasil, está em 77. O país mais longevo é o Japão, com expectativa de 84 anos — em 2100, chegará a 94 anos. Em um século, o ganho global foi de trinta anos.

Pelo ritmo atual do desenvolvimento da medicina do metabolismo, não seria espantoso que, no decorrer do século XXI, a sobrevivência com bem-estar fosse acrescida de mais sessenta anos — o que levaria a idade média para bem mais de 100 anos. Isso é possível? Do ponto de vista puramente biológico, há um limite quase intransponível para o horizonte final da existência (fala-se em 120 anos). Quando se põem na equação a nanotecnologia e a possibilidade real de transferir certos processos bioquímicos do corpo humano para microscópicos engenhos digitais implantáveis, abrem-se fronteiras hoje inatingíveis.

Mas há algo muito palpável — a possibilidade de viver mais e melhor, com amigos, dignidade e alegria. Essa condição é tema da reportagem de VEJA desta semana. A partir de recentes dados demográficos e de minúcias dos progressos científicos, o texto faz um detalhado voo em torno de um assunto fascinante — e que ganha relevo por já não ser apenas um olhar para o futuro. É o aqui e agora, a oportunidade da maturidade sã. Como mostra uma série de muito sucesso na Netflix, Como Viver Até os 100 — Os Segredos das Zonas Azuis, já existem hoje grupos de pessoas que ultrapassam um século de vida e conseguem manter a agilidade mental e física, o sonho ancestral da humanidade.

Vale lembrar, como antiexemplo, de uma galeria de personagens pouco conhecida de As Viagens de Gulliver, clássico da literatura do irlandês Jonathan Swift, de 1726. São os struldbrugs, ou imortais. Quando um dos anfitriões de Gulliver pede a ele que imagine como seria a vida de um struldbrug, o aventureiro inventa uma narrativa maravilhosa. “Que espetáculo nobre e encantador não seria ver com os seus próprios olhos as decadências e as revoluções dos impérios, a face da Terra renovada, as cidades soberbas transformadas em cidades burguesas.” Ao fim da prédica de Gulliver, uma das autoridades pede a palavra e faz o relato real, e amargo, do cotidiano da turma que não morre. Revela que, aos 80 anos, eles são isolados em um lugar chamado hospital dos imortais. “Quando, porém, atingem 90, é ainda pior: todos os dentes e cabelos caem; eles perdem o paladar e bebem e comem sem prazer algum; perdem a noção das coisas mais fáceis de reter, e esquecem o nome dos amigos e às vezes o próprio.” Viram párias. São imortais biológicos, mas já morreram para o convívio social. A ciência e as pesquisas mostram que não precisa (e não deve) ser assim — ao menos para aqueles que procuram se cuidar, seguem hábitos alimentares saudáveis e permanecem ativos na busca de uma longevidade produtiva e feliz.

Publicado em VEJA de 29 de setembro de 2023, edição nº 2861

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