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Brasil tem 122 barragens em risco, alerta consultoria dinamarquesa

No ano passado, a Agência Nacional de Mineração proibiu o uso de barragens com alteamento a montante, estilo da que se rompeu em Brumadinho

Por Jennifer Ann Thomas - 25 jan 2020, 07h53

Um ano após o rompimento da barragem B1, da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, tragédia que deixou 259 mortes confirmadas e 11 pessoas desaparecidas, o fantasma da repetição da história continua a assombrar a sociedade. De acordo com uma empresa de consultoria em serviços ambientais, a dinamarquesa Ramboll, o Brasil ainda tem 122 barragens que oferecem risco. Desse total, 84 são da mineradora Vale, responsável pelo desastre que completou um ano. Onze são do estilo alteamento a montante, o mesmo tipo de estrutura da B1 e da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, que se rompeu em 2015, no distrito de Bento Rodrigues, quando 19 pessoas morreram.

Após o desastre em Brumadinho, foi publicado no Diário Oficial da União, no dia 18 de fevereiro de 2019, a resolução da Agência Nacional de Mineração (ANM) que proibiu “a utilização do método de construção ou alteamento de barragens de mineração denominado ‘a montante’ em todo o território nacional”. A decisão determinou o descomissionamento ou a descaracterização das barragens da Agência Nacional de Mineraçãos até 15 de agosto de 2021 e, para aquelas que ainda estavam ativas na data de publicação da resolução, a conclusão do descomissionamento ou da descaracterização até 15 de agosto de 2023.

O alteamento a montante é considerado o mais barato e o menos seguro entre as tecnologias para barragens de mineração.  De acordo com o engenheiro ambiental Eugênio Singer, presidente da Ramboll no Brasil, “precisamos repensar as condições de monitoramento para garantir a segurança das barragens. Padrões técnicos e operacionais elevados pesam na balança entre a vida e a morte”. 

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