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Rios de Brumadinho seguem com marcas do desastre ambiental, diz ONG

Relatório explica que nos 21 municípios analisados a água coletada registrou vestígios de poluição que a tornam "imprópria" para consumo

Por Da Redação - 23 jan 2020, 23h05

Os rios da região de Brumadinho, em Minas Gerais, continuam a mostrar as “profundas cicatrizes” do desastre causado pelo rompimento da barragem da Vale que matou 270 pessoas há um ano, de acordo com um relatório da Fundação SOS Mata Atlântica divulgado nesta quinta-feira, 23.

“As cicatrizes profundas ainda estão abertas na geografia, no rio, nas pessoas e no meio ambiente”, disse a ONG após coletar amostras de água em 21 pontos nas bacias dos rios Paraopeba e do Alto São Francisco.

Em 25 de janeiro de 2019, a barragem da mina Córrego do Feijão rompeu vertendo milhões de toneladas de resíduos em questão de segundos no município mineiro de Brumadinho.

O relatório explica que nos 21 municípios analisados, a água coletada registrou vestígios de poluição que a tornam “imprópria” para consumo, afetando por tempo indeterminado as comunidades que dependem dos rios.

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“O índice de qualidade da água obtido em 11 pontos foi ruim e em nove pontos, péssimo. Somente em um ponto, junto à barragem de Retiro Baixo, na margem direita, o índice obtido foi regular”, revela o levantamento, realizado nos primeiros dias de janeiro.

“Os índices de turbidez aferidos neste ano continuam em níveis elevados, ainda muito acima dos padrões definidos na legislação. Em 18 pontos de coleta no rio Paraopeba, os índices variam de 5 a 13 vezes acima dos limites máximos permitidos”, acrescenta o documento 35 páginas.

No total, 365 quilômetros deste rio continuam “impróprios” para consumo.

O Alto São Francisco mostrou traços de contaminação nos pontos analisados, sem permitir avaliar se houve algum impacto em outros pontos de sua bacia.

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O relatório detectou “concentração de metais pesados” em todo o rio Paraopeba.

Também relata que foram encontrados traços de ferro, cobre, cromo, manganês e sulfato, entre outros metais, “em quantidades nocivas ao ambiente e à saúde humana, à fauna, aos peixes e aos organismos vivos”.

O impacto do desastre “é ainda mais perverso e silencioso” rio abaixo.

“Longe das máquinas, dos seguranças contratados para impedir o acesso às áreas contaminadas, confirma-se que muito pouco é feito pelo meio ambiente e pelos afetados”, destaca a SOS Mata Atlântica.

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As variações climáticas podem dificultar ainda mais a recuperação da qualidade da água, diz o texto, que também enfatiza que a incerteza e a percepção da impunidade atormentam as comunidades afetadas pela tragédia.

(Com AFP)

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