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Áreas de proteção ambiental estão vulneráveis a mudanças climáticas

Mais de 25% das áreas protegidas precisam de medidas de adaptação às consequências das alterações do clima

Por Da Redação 10 out 2019, 18h10

Um estudo publicado no periódico Conservation Biology, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a Fapesp, mostrou que apesar de o Brasil ser o país que abriga a maior concentração de ecossistemas tropicais em áreas protegidas, uma parcela dessas reservas pode estar vulnerável às mudanças climáticas do planeta. Essas áreas abrigam 225 povos indígenas, que se somam a 4,5 milhões de pessoas, entre fazendeiros e populações tradicionais. Mais de 50% das reservas estão na Amazônia. 

Sob coordenação do ecólogo David Montenegro Lapola, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a pesquisa avaliou 993 áreas protegidas com mais de 50 quilômetros quadrados, incluindo parques nacionais, estações ecológicas, reservas de desenvolvimento sustentável e terras indígenas. Ao estimar a resiliência das áreas e comparar com as projeções feitas para cada uma, 258 foram classificadas como de “vulnerabilidade média” e 17 como “altamente suscetíveis” às mudanças.

De acordo com a Agência Fapesp, as sugestões dos pesquisadores para as áreas consideradas como de vulnerabilidade mediana incluem o monitoramento e as ações de preservação. Já para regiões mais vulneráveis, a sugestão é que as intervenções sejam mais incisivas, como o deslocamento de espécies, reflorestamento da vegetação original e ações de manejo de populações tradicionais – decisões a serem tomadas em casos mais extremos de risco à biodiversidade.

Além da biodiversidade, cabe destacar que muitas dessas áreas são povoadas por populações tradicionais, como indígenas, caiçaras, ribeirinhos e produtores agrícolas. Das reservas classificadas no estudo como alta ou medianamente vulneráveis, mais de 80% são terras indígenas. “Esse é um ponto especial de atenção, pois há pouquíssimas discussões sobre o manejo e adaptação dessas populações frente às mudanças do clima, de modo que elas e seu modo de vida continuem existindo”, disse Lapola.

(com Agência Fapesp)

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