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‘Apocalipse’ vulcânico levou à era dos dinossauros, sugere estudo

Intensa atividade vulcânica pode ter sido a razão de extinção em massa há 200 milhões de anos, que abriu caminho para o desenvolvimento dos dinossauros

Por Da redação 20 jun 2017, 12h51

Há 200 milhões de anos, vulcões em erupção espalharam grandes quantidades de mercúrio e dióxido de carbono na atmosfera, bloqueando a luz solar e levando a uma extinção em massa, sugere um novo estudo. Poucos seres sobreviveram ao “apocalipse”, que durou por volta de um milhão de anos, entre eles alguns ancestrais dos dinossauros, que ocuparam os espaços vazios deixados por outros animais. Segundo a pesquisa, publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas) nesta terça-feira, o episódio ajuda a compreender a evolução de nosso planeta e como as mudanças climáticas nos atingem.

“Nossos resultados reforçam a ligação entre a extinção em massa do Triássico (período entre 250 e 200 milhões de anos atrás) e as emissões vulcânicas de CO2. Isso nos ajuda a compreender não só esse evento, mas também outros períodos de mudanças climáticas na história da Terra”, afirmou Lawrence Percival, pesquisador da Universidade Oxford, na Inglaterra, e um dos autores do estudo, em comunicado.

  • Extinção em massa

    Pesquisas anteriores haviam mostrado que havia uma intensa atividade vulcânica no fim do Triássico, mas o impacto e extensão desses eventos eram desconhecidos. Para descobrir qual se havia alguma relação entre essa atividade e a extinção em massa do período, cientistas das universidades Oxford, de Exeter e de Southampton, na Inglaterra, analisaram o mercúrio contido em seis depósitos de rochas vulcânicas, que são vestígios de antigos continentes (que compunham partes da Inglaterra, Áustria, Argentina, Groenlândia, Canadá e Marrocos).

    Ao entrar em erupção, os vulcões emitem nuvens de gás que contêm a substância — ela se espalha pela atmosfera antes de se precipitar sobre a superfície e se depositar nas rochas. Os pesquisadores perceberam um aumento significativo do composto nas rochas, com picos de mercúrio que coincidiam com a extinção em massa, o que indica uma intensa atividade vulcânica.

    Segundo os cientistas, ancestrais de animais como crocodilos, mamíferos semelhantes a répteis e os primeiros anfíbios não puderam suportar as mudanças ambientais, extinguindo-se. Os pesquisadores afirmam que qualquer ser vivo sobre a Terra teria sido afetado, pois as erupções bloqueiam os raios solares e provocam acúmulo de carbono na atmosfera. Contudo, os primeiros dinossauros conseguiram se adaptar às transformações, espalharam-se pela superfície e deram origem ao período conhecido como a era dos dinossauros.

    “Os dinossauros conseguiram explorar os nichos ecológicos que ficaram livres pela extinção”, explicou Percival.

    Evolução do planeta

    De acordo com os cientistas, a análise do mercúrio em rochas antigas pode revelar como eram outros períodos da história da Terra. “É uma nova e poderosa ferramenta que vai nos permitir entender mais sobre a evolução de nosso planeta e como se tornou o que é hoje”, escrevem os autores no estudo.

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