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VEJA 3000: O tempo da modernidade

Os momentos marcantes e os grandes avanços do país nas últimas décadas registrados nas páginas de VEJA ao longo de 3000 edições

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 jun 2026, 05h30 | Atualizado em 19 jun 2026, 10h42
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A aventura de um país pode ser contada pelas movimentações políticas, as eleições e golpes, as mudanças de regime, as sístoles e diástoles de toda república ou monarquia. É travessia estampada em enciclopédias, em livros, muitas vezes em documentários de televisão e cinema, ou mesmo nos relatos orais que passam de geração para geração. Um outro extraordinário modo de enxergar os passos da civilização é acompanhar as páginas — e os sites, as redes sociais — da imprensa. Nesse aspecto, não há lupa mais adequada do que VEJA para medir o Brasil e o mundo de 1968 para cá, quase 58 anos de uma travessia construída ao longo de 3 000 edições. A revista — e, desde meados dos anos 1990, os filhotes eletrônicos derivados da expansão da internet, a notícia a todo momento e em qualquer circunstância — é espelho de nosso tempo. É o “jornalismo como primeiro rascunho da história”, na definição de Philip Graham, ex-editor do americano The Washington Post.

O Plano Real anunciado por FHC, em 1994: a sonhada estabilidade da moeda
O Plano Real anunciado por FHC, em 1994: a sonhada estabilidade da moeda (Lula Marques/Folhapress/.)

Desde sua gênese, antes mesmo de começar a circular, VEJA trilhava o caminho do conhecimento como ferramenta de defesa da democracia e da livre-iniciativa — em um tempo, é sempre bom lembrar, no qual o Brasil mergulhava nas sombras da ditadura militar que apenas 21 anos depois seria varrida do mapa. Numa carta que circulou em outras publicações, em forma de convite a profissionais que tivessem interesse em participar da empreitada de VEJA, os responsáveis pela Editora Abril resumiram a promissora ideia que nascia: “Procuramos homens e mulheres inteligentes e insatisfeitos, que leiam muito, sempre perguntem ‘por quê’ e queiram colaborar na construção do Brasil de amanhã”.

Inteligentes e insatisfeitas, as reportagens de VEJA ajudaram a tirar o país da escuridão e a iluminar estradas, com uma condição inegociável: sempre a favor do Brasil, da modernidade. Depois dos anos de censura, na grita contra os abusos do regime e as torturas nos porões, VEJA costurou o fio democrático que nos trouxe aos dias de hoje, ao tremular a bandeira pelas Diretas Já, em 1984. Soa emocionante, ainda agora, recuperar o trecho inicial da reportagem que, no início de fevereiro daquele ano, detalhava o brado em São Paulo: “A história das manifestações políticas da sociedade brasileira ganhou (…) um novo marco de grandiosidade. (…) Amontoadas por toda a Praça da Sé, 200 000 pessoas gritavam: ‘Um, dois, três / Quatro, cinco mil / Queremos eleger / O presidente do Brasil’”.

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Sabesp: o ciclo de privatizações vai acelerar as metas de universalização do saneamento básico no país
Sabesp: o ciclo de privatizações vai acelerar as metas de universalização do saneamento básico no país (Constantinis/Getty Images)

Só elegeríamos, em 1989, um certo Fernando Collor de Mello, que se apresentava como “caçador de marajás” e, no Palácio do Planalto, costurou uma engrenagem corrupta que o arrastaria a um processo de impeachment e renúncia em 1992. VEJA, naquele momento fundamental, o de condenar os desvios — e não era possível que da ditadura mergulhássemos na roubalheira —, teve papel fundamental. A partir de uma reportagem em que o irmão Pedro denunciava as falcatruas do presidente da República, em maio de 1992 — “Pedro Collor conta tudo” —, e ao longo de dezessete capas sucessivas, VEJA esteve sempre à frente da notícia e de seus pares. Era o rascunho da história, ou a própria história que se escrevia.

A democracia parecia consolidada, a corrupção condenada — ainda que, no futuro que nos toca hoje, despontassem escândalos como o do mensalão e do petrolão. Era fundamental, em um país com instituições firmes e saudáveis, apesar dos solavancos, que também a economia seguisse a cartilha da justiça, sem privilégios ou discursos populistas. Era preciso domar o dragão inflacionário, cortar os gastos públicos. E, então, deu-se um outro momento de excelência, que VEJA aplaudiu e explicou: o Plano Real, de julho de 1994, construído ainda nos estertores da Presidência da Itamar Franco, que sucedera a Collor como seu vice, e estabelecido na primeira gestão presidencial de Fernando Henrique Cardoso, que fora ministro da Fazenda no período final da construção do pacote que refundaria o país.

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A potência do agronegócio brasileiro: respeitado em todo o mundo
A potência do agronegócio brasileiro: respeitado em todo o mundo (Dirceu Portugal/Fotoarena/.)

“Êta ano bom”, celebrava a capa dedicada ao que houve em 1994. Assim, com sorriso, sem ironia: “Sujeito de sorte, esse Fernando Henrique Cardoso. Ao contrário da maioria das pessoas, que cada Natal encalha com um inevitável estoque de presentes inteiramente inúteis, difíceis até de ser passados adiante no Natal seguinte, o presidente eleito ganhou exatamente que queria em 1994: um Brasil. E dos melhores: tetra na bola, dinheiro na mão, 1,8% de inflação em dezembro, crescimento do PIB projetado em 4,5%, otimismo nacional generalizado”. Houve depois, é claro, momentos de crise, quedas terríveis, sustos e dramas, sem que a chaga da desigualdade tenha sido resolvida. Contudo, a estabilidade econômica tão sonhada autorizou o ingresso em outro patamar, ao instalar o país no clube das nações que crescem com racionalidade, desde que as regras sejam cumpridas. O Plano Real, dito de outro modo, foi o preâmbulo de privatizações celebradas e necessárias, como a da Telebras, em 1998 — e quem, naquele momento, apostaria em um futuro com acesso a telefonia para todos? Décadas depois, um novo ciclo de desestatizações teve como marcos importantes as privatizações da Sabesp, em São Paulo, e de outras empresas do setor no país. O movimento vem gerando um fluxo inédito de investimentos, o que deve acelerar as metas nacionais de universalização do saneamento básico.

Fernando Collor e Rosane embarcam para o ostracismo: a corrupção revelada por VEJA em 1992
Fernando Collor e Rosane embarcam para o ostracismo: a corrupção revelada por VEJA em 1992 (Roberto Stuckert Filho/Ag. O Globo/.)
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VEJA, em 3 000 semanas, e outras 3 000 logo virão por aí, ampliadas no site, nas redes sociais e, mais recentemente, na TV, manifesta o orgulho de ter ajudado a construir o Brasil que pretendemos, ainda imperfeito, mas com um manual de boas condutas para seguir. A missão primordial da Editora Abril e de VEJA, transmitida edição a edição, ano a ano, lavrada lá no início dos tempos pelos fundadores, prossegue vivíssima: “contribuir para a difusão de informação, cultura e entretenimento, para o progresso da educação, a melhoria da qualidade de vida, o desenvolvimento das instituições democráticas”. As boas iniciativas detalhadas nas páginas a seguir, com um olho no passado, outro no presente, e tantos mais no amanhã, mostram que o Brasil tem jeito, sim — e o jornalismo profissional praticado por VEJA é um farol atento nessa direção.

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Publicado em VEJA de 19 de junho de 2026, edição nº 3000

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