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Do pesadelo ao sonho: onde a qualidade do ensino superou as dificuldades

O ponto de virada foi a chegada de uma nova gestão, que logo entendeu que precisava antes de tudo ouvir pais, alunos e professores

Por Ricardo Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 jun 2026, 05h30 | Atualizado em 19 jun 2026, 10h43
Do pesadelo ao sonho: onde a qualidade do ensino superou as dificuldades Priorize VEJA no Google

Sempre que um novo ranking do ensino aparece, o festival de notas vermelhas dos brasileiros chama atenção, deixando claro o tanto de empenho que ainda é preciso depositar nessa área tão nevrálgica ao avanço do país. É justamente por isso que vale enaltecer exemplos de salas de aula onde a qualidade viceja apesar das dificuldades, como se vê na escola estadual Parque dos Sonhos, em Cubatão, na Baixada Santista, onde a garotada vem de uma comunidade carente. Pouca gente tinha ouvido falar do colégio, até que foi recém-eleito o melhor do mundo na categoria “superação de adversidades”, prestigiada láurea concedida pela ONG britânica T4. A reviravolta observada ali é daqueles feitos extraordinários, sobretudo porque se deu com pouco dinheiro, mas muita persistência para driblar condições que faziam o lugar ser conhecido uma década atrás como “Parque dos Pesadelos”. O ponto de virada foi a chegada de uma nova gestão, que logo entendeu que precisava antes de tudo ouvir pais, alunos e professores. Passou-se então a visitar a turma, formada por 2 000 crianças e adolescentes do ensino fundamental ao médio, de casa em casa, o que acabou por ser determinante para criar valiosos vínculos e reduzir a zero a evasão que disparava. Com atividades esportivas e culturais, o aprendizado também ficou mais atraente, e os indicadores de desempenho melhoraram. Verdade que há ainda bastante trabalho a fazer rumo à excelência, mas estão dadas as condições para que ela floresça nessa região de sofríveis indicadores socioeconômicos. “Uma boa educação exige um plano de voo e continuidade”, diz o diretor Régis Ribeiro. E assim se transformam vidas.

Publicado em VEJA de 19 de junho de 2026, edição nº 3000

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