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Servidor da Funai alertou para ‘risco de conflito armado’ com pescadores

Relatório enviado à sede da Funai em setembro de 2021 mostra que havia sérias divergências entre o órgão e a Unijava

Por Hugo Marques Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 jun 2022, 15h21

Em setembro de 2021, a Base de Proteção da Funai nos rios Ituí e Itaquaí, na Amazônia, alertou a direção do órgão em Brasília para o “risco de conflito armado” entre o grupo de segurança do ambientalista Bruno Pereira e pescadores da região. O alerta consta em um relatório enviado à sede da Funai em Brasília. Oito meses depois da advertência, o ambientalista e o jornalista Dom Phillips foram assassinados na mesma região.

De acordo com o relatório, no dia 6 de setembro do ano passado, quatro tiros foram disparados em frente à Base de Proteção. Um funcionário da Funai relata que naquele dia houve muita movimentação de botes do grupo da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Unijava), associação privada para quem Bruno trabalhava, fiscalizando terras indígenas.

Por causa da escuridão, de acordo com o servidor, não havia como confirmar quem efetuou os disparos, mas ele afirma ter apurado posteriormente que foi a equipe de fiscalização da Unijava. “Em meio à esta situação, escutei a voz do Bruno Pereira, passando instruções aos outros partícipes”, narrou.

Na madrugada do dia seguinte, 7 de setembro, o funcionário da Funai diz que foi procurado por um representante da Unijava, conhecido como Gago Kanamari, e este informou que tinham detido um infrator e que outros invasores tinham conseguido fugir.

Kanamari queria que a Funai levasse o invasor, que estava sendo vigiado por dois índios armados da Unijava, até uma delegacia de polícia. O  invasor foi identificado como sendo o pescador Moisés Rodrigues. De acordo com o relato, cinco pescadores estavam em três canoas, com duas espingardas, no varadouro do Rio Itaquaí.

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O funcionário da Funai informa no relatório que advertiu sobre o risco de contaminação dos índios korubo, já que a equipe da Unijava não estava respeitando os protocolos de segurança sanitária, como o distanciamento e o cumprimento de quarentena.

O documento deixa claro que havia uma disputa entre a Funai e a Unijava pelo fiscalização da área. “Solicito saber como proceder caso esta situação se repita, visto que no mínimo toda atividade deveria ser acompanhada por uma força de segurança com poder de polícia”, narrou.

“Some a isso, o fato de que existe risco de conflito armado – com vítimas”, diz ele. “Há baixíssimo efetivo e qualquer indivíduo cedido deverá retornar para a quarentena ou folga, enfraquecendo ainda mais a presença desta Fundação”. No final do relatório, o funcionário da Funai alerta: “Tudo isso teria por resultado propaganda negativa perante a mídia em geral”.

Bruno tinha sido até o final de 2019 da Coordenação Geral de Índios Isolados e Recém-Contatados da Funai e tinha vasta experiência no Vale do Javari. Conforme mostrou VEJA, ele foi dispensado do cargo na gestão do então ministro Sergio Moro no Ministério da Justiça, após ajudar a Polícia Federal a planejar uma operação que resultou na destruição de 60 balsas do garimpo ilegal na Amazônia. No início deste ano,  a Controladoria-Geral da União (CGU) desautorizou Bruno a atuar como consultor da Unijava, sob risco de ‘conflito de interesses’, por ainda ser funcionário da Funai.

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