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Se for absolvido, Gil Rugai receberá 5,5 milhões de herança

Interrogatório do acusado de matar pai e madrasta está previsto para hoje, quarto dia de julgamento; defesa afirma: ele está disposto a falar

Por Da Redação 21 fev 2013, 08h17

O julgamento do ex-seminarista Gil Rugai, acusado de matar o pai, Luís Carlos Rugai, e a madrasta, Alessandra Troitino, em 2004, entra nesta quinta-feira em seu quarto dia – e promete ser marcado pelo interrogatório do réu. “Gil irá responder a absolutamente todas as perguntas que forem feitas no interrogatório”, afirmou um dos advogados de defesa, Marcelo Feller. “Mas se for agredido e pressionado, ele vai parar de responder.”

A sentença a ser proclamada pelos jurados no fim do julgamento, previsto para esta sexta-feira, não definirá apenas o futuro de Gil Rugai, mas também a partilha da herança deixada por Luís Carlos. Estima-se que, atualmente, perto de 22 milhões de reais estejam parados aguardando o júri.

Se absolvido, o réu terá direito a usufruir os quase 5,5 milhões a que tem direito – o porcentual representa 25% do total, já que a família de Alessandra deve receber 11 milhões. A outra metade, pela lei, será dividida entre os dois irmãos ou será entregue apenas a Léo Rugai – caso Gil seja condenado.

Luís Carlos e Alessandra não eram oficialmente casados, mas estavam juntos havia mais de 10 anos. De acordo com a legislação brasileira, a relação do casal já era considerada uma união estável, o que dá direito à metade dos bens à mulher. A família de Alessandra Troitino pleiteia o direito na Justiça e os parentes de Gil Rugai contestam.

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Testemunhas – Além do depoimento do réu, estão previstas para esta quinta as oitivas de mais três testemunhas chamadas pelo próprio juiz do caso: um ex-sócio de Gil Rugai, um motorista e um vigia da vizinhança onde moravam as vítimas. Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça, o magistrado deve decidir nesta quinta sobre a possibilidade de ouvir apenas uma das testemunhas.

Na quarta-feira, os jurados ouviram o depoimento do irmão do acusado, Leo Rugai. Ele afirmou que o réu era demitido da produtora do pai com frequência. “Acho que era uma forma de meu pai educar o Gil. Às vezes, ele cometia um erro e era demitido”, disse.

Ele se referiu ao irmão como “uma figurinha”, na tentativa de justificar ao júri o material encontrado no quarto de Gil durante as investigações, como seringas com sangue e uma suástica. O depoimento de Leo encerrou o terceiro dia de julgamento de Rugai após oito horas de audiência. Para ele, o irmão é inocente. A acusação não quis fazer perguntas à testemunha.

Além de Leo, nesta quarta-feira foram ouvidas cinco pessoas: uma antropóloga especialista em júri, um jornalista, um perito do Instituto de Criminalística (IC), um contador da produtora do pai do acusado e o vigia que trabalhava próximo a casa das vítimas. Duas testemunhas foram dispensadas pela defesa.

Para a promotoria, Rugai assassinou com tiros nas costas o próprio pai, Luís Carlos Rugai, e a madrasta, Alessandra Troitino, por dinheiro, em março de 2004. Ele teria sido descoberto em um esquema de desvio de valores na produtora de vídeo do pai, que pretendia denunciá-lo à polícia.

(Com Estadão Conteúdo)

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