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Presos quatro suspeitos de fraudar inspeção veicular

Dois são funcionários da Controlar que cobravam 500 reais para liberar veículos irregulares; proprietários dos carros aprovados irregularmente terão de depor

Por Da Redação - 23 nov 2012, 07h55

A Polícia Civil prendeu em flagrante quatro suspeitos de burlar a inspeção veicular na cidade de São Paulo. Dois são funcionários da Controlar, empresa responsável pelo serviço. Com a ajuda de um intermediário, Avilmar Pereira, de 34 anos, os inspetores Adilson Jorge de Morais, de 33, e Pedro Phillipe Polatto, de 22, aprovavam veículos inaptos em troca de propina, segundo o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).

O quarto suspeito é o empresário Francisco Almeida dos Santos, de 56 anos, que tentava regularizar sua frota na quinta-feira pela manhã. Ele vai responder pelo crime de corrupção ativa. Os outros serão enquadrados por corrupção passiva e formação de quadrilha. Avilmar Pereira já tem passagem pela Justiça por estelionato.

De acordo com as investigações, os dois funcionários da Controlar cobravam 500 reais dos proprietários para fazerem “vistas grossas” às irregularidades que pudessem impedir a liberação do veículo.

Denúncia – O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo recebeu denúncia anônima sobre o esquema há quase de três meses. O delegado responsável pelo caso, Anderson Giampaoli, disse que cerca de trinta veículos passaram pelo esquema durante a investigação.

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Os proprietários dos veículos aprovados irregularmente serão chamados para prestar depoimento e devem ser indiciados por formação de quadrilha e corrupção ativa. Outros dois intermediários foram identificados. “O objeto da fraude é caminhão a diesel. Não vimos carros ou motos”, disse Giampaoli.

Para ter o veículo aprovado, o “cliente” do esquema agendava a inspeção normalmente pela internet, mas escolhia o posto do Jaguaré no turno da manhã. Eram o local e o período de trabalho dos inspetores Morais e Polatto. Segundo a polícia, eles faziam a pré-inspeção manual e, na segunda fase, burlavam o sistema automatizado.

Investigação – A Controlar informou que “repudia qualquer prática fraudulenta e está colaborando com as investigações para que o fato seja esclarecido”. A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente afirmou que dois técnicos foram destacados para fazer uma auditoria extraordinária no posto do Jaguaré.

A promotora Sandra Rodrigues, do Gaeco, ressalta que o caso não tem nada a ver com a suposta irregularidade na renovação do contrato com a Controlar em 2008, que resultou em denúncia por fraude à Lei de Licitações do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e do ex-presidente da empresa Ivan Pio de Azevedo. “Esse caso é algo episódico, que envolve apenas dois funcionários da Controlar desse posto. Não tem nenhuma relação com a investigação de improbidade.”

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Veja nota da Controlar:

Em virtude das notícias veiculadas hoje sobre a prisão de dois funcionários acusados de fraudar a inspeção de caminhões, no centro de inspeção Jaguaré, a Controlar esclarece que:

Conforme definido pelo Conama, a inspeção é dividida em etapas, uma visual, realizada pelo inspetor, e outra computadorizada, onde é feita a medição de gases, sem interferência humana. A investigação policial aponta que a fraude aconteceu na etapa visual, onde os funcionários verificam se há algum componente do veículo em desacordo com a regulamentação tal como: vazamento de óleo, furos no escapamento, mangueiras soltas, entre outros.

A Controlar investe pesadamente em tecnologia, treinamento de funcionários e desenvolvimento de processos de controle e gerenciamento, inclusive estatísticos, com o objetivo de minimizar a possibilidade de falhas. A confiabilidade de seus equipamentos e sistemas é atestada por frequentes auditorias e certificações de órgãos de controle.

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Trata-se de um caso isolado em cinco anos da realização do programa e mais de 11 milhões de inspeções realizadas. A Controlar lamenta o ocorrido, e reafirma seu compromisso com a qualidade dos serviços, respeito ao usuário e prestação de contas para a sociedade.

(Com Estadão Conteúdo)

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