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Pós-tragédia: múmias destruídas, minerais salvos e esperança por Luzia

Segundo o geólogo Renato Cabral Ramos, crânio fica dentro de caixa resistente, em um armário; veja balanço parcial do que se perdeu e do que foi recuperado

Por Redação - Atualizado em 3 set 2018, 18h38 - Publicado em 3 set 2018, 17h48

Considerado o maior tesouro do Museu Nacional do Rio de Janeiro, o esqueleto mais antigo já encontrado nas Américas, com cerca de 12.000 anos de idade, batizado de Luzia, pode ter se salvado. É a esperança da equipe do geólogo Renato Cabral Ramos, que está fazendo o levantamento do que se perdeu e do que se salvou do acervo da instituição. Segundo ele, o crânio fica guardado dentro de uma caixa resistente, em um armário.

Achado em Lagoa Santa, em Minas Gerais, em 1974, trata-se de uma mulher que morreu com 20 a 25 anos de idade e foi uma das primeiras habitantes do Brasil. O crânio e a reconstituição de sua face — que revela traços semelhantes aos de negros africanos e aborígenes australianos — estavam em exibição no museu. A análise do crânio de Luzia pelo antropólogo Walter Neves mudou as principais teorias sobre o povoamento das Américas. É considerado o maior tesouro arqueológico do país.

Quase vinte horas após o início do incêndio que tomou o prédio histórico que sedia o museu já sabe-se que foram completamente destruídos o setor de memória e arquivo, que abrigava todo o acervo de pesquisas, com relatórios, artigos, documentos e fotos, assim como a Biblioteca Francisca Keller. Também foram consumidas pelo fogo as múmias abrigadas pela instituição.

O museu era a casa do maior acervo de cultura egípcia da América Latina. Fazia parte desse tesouro o sarcófago e a múmia da sacerdotisa Sha-amun-em-su, datada de 750 a.C., peça que o imperador dom Pedro II ganhou de presente durante uma viagem ao país, em 1876. Também havia múmias de países vizinhos, como as de pessoas que habitaram a América pré-colombiana, caso de uma encontrada no Deserto do Atacama, no Chile, com idade estimada entre 4.700 e 3.400 anos.

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Recuperados

Resistentes ao fogo, minerais da primeira coleção do museu, a Coleção Werner, foram resgatados. Assim como o meteorito Bendegó, o maior encontrado no Brasil, com idade avaliada em 4,5 bilhões de anos. Um quadro do Marechal Rondon também está entre as obras que foram retiradas dos escombros. Os departamentos de vertebrados no térreo foram parcialmente salvos.

A expectativa é grande em relação aos armários do setor de geologia e paleontologia, que continuam de pé. O chão continua fumegante, o que dificulta chegar ao local. Porém, ali estão guardadas algumas das peças mais raras do museu, como rochas, fósseis e minerais, além de ossos de dinossauros.

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