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Polícia faz operação contra grupo neonazista no RS

Um homem de 26 anos foi preso suspeito de integrar um grupo que faz apologia ao nazismo; polícia cumpriu mandados em 7 cidades do Rio Grande do Sul

Por Eduardo Gonçalves - Atualizado em 8 dez 2016, 19h46 - Publicado em 8 dez 2016, 16h55

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou nesta quinta-feira uma operação para desmobilizar células neonazistas que atuam no Estado. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Viamão, Canoas, Passo Fundo, Erechim, Caxias do Sul, São Nicolau e Cruz Alta. Nos locais, a polícia encontrou vasto material que faz apologia ao nazismo, como propaganda de um grupo chamado “White Power Sul Skin” e o livro Mein Kampf (Minha Luta), de Adolf Hitler. Um homem de 26 anos chegou a ser detido para averiguação por portar um estojo de balas já deflagradas, mas foi liberado no início da noite de hoje. 

A investigação se iniciou há dez meses, quando a polícia começou a monitorar um estrangeiro italiano que teria vindo ao Brasil para recrutar “guerrilheiros urbanos”, como eles se autointitulam, para lutar na guerra da Ucrânia. O homem pertencia ao chamado batalhão Azov, formado por neonazistas que combatem separatistas russos ao lado do Exército oficial do país. A Polícia Civil monitorou as andanças do estrangeiro e filmou os encontros que ele teve com pelo menos oito pessoas, cujas residências foram alvos da operação desta quinta. O estrangeiro já está fora do país.

O delegado Paulo César Jardim, do 1º Distrito Policial de Porto Alegre, disse a VEJA que a operação tem “caráter preventivo” – por isso, foram pedidos só mandados de busca. “Com essa ação, nós evitamos algum ataque que pode vir a ocorrer em sinagogas ou passeatas gays. Foi uma ação para passar a seguinte mensagem: ‘Nós sabemos que vocês existem e estamos monitorando vocês”, afirmou o delegado. A maioria dos suspeitos trabalham como seguranças ou tatuadores e não escondem que seguem a ideologia nazista.

“Durante os depoimentos, eles dizem sem constrangimento que defendem a supremacia branca, a segregação racial e a oxigenação social”, disse Jardim.

 

 

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