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Pezão estuda criar mais secretarias para abrigar aliados

Se confirmada criação da Secretaria de Integração Metropolitana e de pasta voltada a pessoas com deficiência, número de secretários sobe a 27

Por Daniel Haidar, do Rio de Janeiro - 6 nov 2014, 09h16

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), estuda a criação de duas novas secretarias, sob a justificativa de reforçar ações integradas de governo e políticas setoriais. Mas, na prática, as novas pastas ajudam a abrigar os partidos da coligação que o reelegeu. Se confirmada a criação da Secretaria de Integração Metropolitana e de uma pasta para ações governamentais voltadas a pessoas com deficiência e doenças raras, a quantidade de secretários de Estado subirá de 25 para 27.

Em função de acordos políticos, Pezão precisa recompensar o PMDB e outros 20 partidos que apoiaram sua campanha. O secretariado deve ser anunciado a partir da segunda quinzena de novembro. No primeiro turno, Pezão foi apoiado por uma coligação de 18 partidos. No segundo, conseguiu a adesão formal de PDT, PROS e PTdoB. Também foi apoiado pelo senador eleito Romário (PSB), que, em troca, exigiu políticas para pessoas com deficiências e doenças raras.

De acordo com políticos que acompanham as negociações, a lógica da distribuição de secretarias é recompensar aliados e garantir o controle uma ampla base de apoio na Assembleia Legislativa do Estado. O PMDB vai continuar com a maior bancada na próxima legislatura, com a presença de 15 parlamentares, e deve ficar com mais espaço no governo Pezão.

O PSD terá a segunda maior bancada na Assembleia, com oito parlamentares, e tenta permanecer com o controle de três secretarias (Ambiente, Agricultura e Trabalho). A Secretaria de Ambiente, considerada a mais valiosa, foi justamente a última recompensa ao partido, entregue ao presidente do PSD no Rio de Janeiro, Índio da Costa, em abril deste ano. Até então, a pasta era um feudo do PT no governo de Sérgio Cabral (PMDB). Os petistas só desembarcaram da administração estadual para lançar a candidatura ao Palácio Guanabara do senador Lindbergh Farias (PT). Com o divórcio, o PT também perdeu a Assistência Social, repassada ao Solidariedade.

Não é a primeira vez que o governo do Rio de Janeiro ganha mais secretarias para, na prática, recompensar aliados do PMDB. Cabral teve de criar três secretarias em fevereiro do ano passado para reforçar a campanha de Pezão à reeleição. A Secretaria de Prevenção à Dependência Química foi entregue ao PSC, enquanto a pasta de Defesa do Consumidor ficou com o PDT e a de Envelhecimento Saudável coube ao PTB.

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