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PE: governador diz que defenderá apoio do PSB a Aécio

João Lyra Neto diz que tucano tem condições de liderar oposição ao PT. Candidato eleito ao governo pernambucano, Paulo Câmara preferiu não se posicionar

O governador de Pernambuco, João Lyra Neto (PSB), declarou neste domingo apoio ao candidato Aécio Neves no segundo turno da disputa pela Presidência da República e afirmou que vai defender que seu partido, pelo qual Marina Silva concorreu ao Planalto, siga o mesmo caminho.

“A surpreendente ascensão de Aécio Neves nos últimos dias do processo eleitoral para a Presidência da República refletem o seu excelente desempenho nos debates eleitorais e o credenciam para representar as forças de oposição no segundo turno do pleito presidencial”, afirmou o governador por meio de nota. “Vou defender esta tese junto aos companheiros do Diretório Regional do PSB e, também, como integrante do Diretório Nacional, vou indicar o nome de Aécio Neves para apreciação da Executiva Nacional”.

Pouco antes da declaração do governador pernambucano, o candidato eleito ao cargo em primeiro turno, Paulo Câmara (PSB), preferiu não se posicionar sobre a questão. Perguntado sobre quem vai apoiar no segundo turno durante entrevista, Câmara riu e disse que ainda não pode dizer. “Precisamos definir isso com o Sileno Guedes (presidente do PSB no Estado) e depois levar o tema a nível nacional”. A reunião em Pernambuco está prevista para acontecer nesta segunda-feira.

Na nota divulgada pelo atual governador, João Lyra Neto destaca que o Brasil passa por um momento “muito delicado em sua economia” e por “um esgarçamento no seu tecido político”. Para o país voltar a crescer, segundo ele, é fundamental uma reforma política. “Creio que Aécio Neves conquistou a condição de liderar esse momento da política nacional”, conclui o governador.

Marina – Sucessor de Lyra Neto, Paulo Câmara lamentou a derrota da aliada Marina Silva nas urnas. “Temos que respeitar a vontade da população. Nós entendemos que ela tem as melhores propostas para o Brasil. Porém, os obstáculos que tivemos não permitiram que o Brasil conhecesse tudo o que estava em nosso programa de governo. Nosso espaço na TV não foi suficiente para mostrarmos tudo”, disse o socialista em entrevista coletiva após a vitória.

Câmara recebeu 68% dos votos válidos e se consagrou como o governador proporcionalmente mais bem votado do Brasil. Seu principal opositor, Armando Monteiro Neto (PTB), ficou com 31% dos votos. “Devemos essa vitória ao trabalho e ao legado de Eduardo Campos, a quem dedicamos essa vitória”. A simples menção ao nome do ex-governador, morto em 2014, abriu margem para aplausos e declarações emocionadas, sentimento que se repetiu por toda a campanha de Câmara desde o acidente em Santos, em agosto.

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Desafios – O primeiro desafio de Câmara no governo será agradar aos 21 partidos que compõem a coligação Frente Popular de Pernambuco, a maior coligação já feita em torno de um candidato ao governo estadual. “Vamos ter o apoio desses partidos, mas dentro da nossa forma de governar. Eles vão indicar técnicos qualificados para os cargos e esses cargos serão ocupados por pessoas que tenham nossa forma de pensar”, declarou Câmara.

Com a oposição enfraquecida no Estado, Câmara teve como único oponente direto Armando Monteiro Neto (PTB), que era apoiado pela presidente Dilma Rousseff e ficou com 37% dos votos válidos. No Estado de Luiz Inácio Lula da Silva, a preferência pelo PSB saltou após a morte de Campos. Para se ter ideia, em agosto, pesquisa Datafolha indicava 13% das intenções de voto para Câmara e 47% para Monteiro.

A vitória de Câmara faz de Pernambuco a principal vitrine do PSB no Brasil. O partido já comandou o Estado por oito anos e agora segue por mais quatro. O prefeito de Recife, Geraldo Júlio, já havia sido o primeiro poste de Campos no Estado. Júlio, assim como Câmara, nunca havia concorrido a um cargo eletivo até ser indicado ao cargo pelo socialista. O prefeito agora é cotado para vice do partido a nível nacional.

Família Campos – Durante todo o domingo, a família de Eduardo Campos acompanhou Câmara. Pela manhã, tomaram café na casa do candidato e seguiram juntos aos locais de votação do candidato ao governo, do deputado federal e agora vice governador, Raul Henry, de Bezerra Coelho, e, por fim, ao local de votação da família. No bairro Dois Irmãos, participaram de um almoço oferecido por Renata Campos.

A viúva, contudo, não deu nenhuma declaração à imprensa. Nem seus filhos, João e Pedro, mais envolvidos com política, se manifestaram. Apenas seguiram em carreata com Câmara pela cidade e declaram apoio do candidato. Questionado se os jovens receberão algum cargo no governo, Câmara disse que ainda é muito cedo para definir. “Nós ainda vamos pensar nisso. Os que têm idade para ser servidores públicos ainda estão estudando, mas têm muita condição de avançar se assim quiserem”, disse.