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Operação prende policiais que chefiavam milícias no Rio

Três grupos atuavam em bairros da Zona Norte e lucravam com a exploração de serviços de TV a cabo, internet e transporte alternativo

Por Rafael Lemos 22 dez 2011, 13h03

A Operação Lobão desarticulou, na manhã desta quinta-feira, três grupos de milicianos que atuavam nos bairros de Brás de Pina e Cordovil, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Dos 30 mandados de prisão expedidos pela Justiça, 10 são contra policiais militares, dois contra policiais civis e um para um militar do Exército. Até o momento, 18 pessoas já foram presas, sendo nove PMs e um policial civil. Essa é a segunda grande investida desta semana contra policiais corruptos no Rio. Na segunda-feira, um grupo de PMs foi preso por associação ao tráfico de drogas, em São Gonçalo, na região metropolitana.

A ação é fruto de cinco meses de investigações, num trabalho coordenado entre as corregedorias da Polícia Civil (Coinpol), Militar e Geral Unificada (CGU) e a Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado e Inquéritos Especiais (DRACO/IE). Três PMs já haviam sido presos na “Operação Herdeiros”, na semana passada. São eles: o chefe de uma das quadrilhas, o policial militar Anderson de Oliveira, o Mugão (preso ao tentar matar um de seus rivais), e os PMs André Luiz Menezes e Adilson Menezes, dois irmãos que comandavam outro grupo.

“A ação de hoje é importantíssima. As milícias se mostram muito mais destrutivas que o tráfico de entropecentes porque são membros do próprio estado atuando contra sociedade. Temos várias investigações sobre milícias e essa é uma delas”, afirmou o coronel Waldyr Soares Filho, corregedor da PM.

Entre os presos, também está o PM Márcio Gabriel Simão, o Marcinho Vida Louca. Ele era o líder de uma milícia intitulada Bonde dos Galáticos, numa alusão ao imbatível time do Real Marid no início dos anos 2000. As investigações tiveram início após Marcinho ter sido vítima de uma tentativa de homicídio por parte, segundo a polícia, do sargento do Exército Sandro Fernandes de Assis e do PM Anderson de Oliveira, chefes de uma milícia rival.

Os três grupos atuavam separadamente, tinham territórios definidos e atividades econômicas típicas das milícias. A renda deles vinha da oferta de sinal de TV a cabo, internet, do transporte alternativo e de práticas de extorsão.

A operação, que contou com 250 policiais divididos em 71 equipes, estourou uma central clandestina de TV a cabo, em Cordovil. A assinatura do serviço custava 30 reais por mês.

Desde 2007, já foram presas mais de 600 pessoas envolvidas em atividades de milícia. E o corregedor-geral da CGU, Giuseppe Vitagliano, avisa que o combate a esse tipo de quadrilha tende a se intensifcar. “Este é só o início. Muitos outros (milicianos) serão presos. É uma questão de tempo. Aguardem”, promete.

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