Clique e assine a partir de 9,90/mês

No Senado, governistas calam sobre Dilma e atacam ‘ditador’ Sergio Moro

Por decisão do juiz federal, foram levantados os sigilos de conversas telefônicas do ex-presidente Lula

Por Da Redação - 16 mar 2016, 22h38

Pouco antes das sete horas da noite, quando o plenário do Senado discutia um projeto que previa isenção de IPTU sobre templos religiosos, o líder do DEM Ronaldo Caiado interrompeu os trabalhos para anunciar o que, até o momento, é o ponto mais grave da crise político-institucional que assola o governo Dilma Rousseff. Por decisão do juiz federal Sergio Moro, foram levantados os sigilos de conversas telefônicas do ex-presidente Lula, que haviam sido grampeadas com autorização da Justiça. Nelas, a evidência mais clara de que a nomeação de Lula foi, sim, uma blindagem contra o risco iminente de prisão na Operação Lava Jato.

Depois do anúncio de Caiado de que os grampos já eram públicos e do pedido do senador para que a presidente Dilma renunciasse de imediato, a tropa de choque do governo, liderada pelos senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), tentou deslocar o foco das suspeitas e ignorou a confissão de Dilma sobre os reais motivos da indicação de Lula para a Casa Civil. Para eles, pouco importavam as evidências claras de crime de obstrução de justiça. Alheios à convulsão do país, que no último domingo pediu o impeachment da presidente, os dois senadores se limitaram a atacar a Justiça e a Polícia Federal.

A mais grave conversa interceptada entre Dilma e o antecessor Lula foi feita no início da tarde de hoje, quando a nomeação para a Casa Civil ainda não tinha sido oficializada. O ex-presidente é investigado no petrolão e não tinha foro privilegiado no momento do grampo.

“A única coisa que é extremamente grave neste episódio é a Polícia Federal vazar uma conversa da presidenta Dilma com o ex-presidente Lula. Esta conversa aconteceu pouco mais das 11h da manhã de hoje. É um vazamento despropositado de uma conversa privada da Presidenta da República. Isso, sim, nós temos que apurar e investigar o que houve, porque, quanto ao diálogo, não há problema algum”, disse Lindbergh. Na verdade, os sigilos foram suspensos por ordem do juiz Sergio Moro e não são, de maneira alguma, um “vazamento”, como disse o petista.

Continua após a publicidade

O senador, ele próprio alvo de inquérito na Operação Lava Jato, insistiu em dizer que “o grave” não eram os indícios de crime. “O grave é que, nesta República, uma presidenta da República, gravam sua conversa, e, no mesmo dia, divulgam”. Mais uma vez, acusou erroneamente as autoridades de vazamento de informações: “Eu acho, sinceramente, que o Senado Federal tem que tomar uma posição sobre isso. Vazamentos seletivos, vazamentos feitos para aprofundarem a crise política do nosso país”.

“Eu não quero discutir aqui o conteúdo do que está na fala de um ex-presidente com uma atual presidente. Também não sei até que ponto é verídica a informação que nós acabamos de receber, que hoje, quarta-feira, dia 16 do mês de março, o juiz Sérgio Moro quebrou o sigilo das interceptações telefônicas do ex-presidente Lula – quebrou. Eu nunca vi tanta desobediência, tanto desrespeito à Constituição do nosso país. Isso acontecia muito lá nos idos de 1964”, exagerou Vanessa Grazziotin.

“Nós temos um juiz de primeira instância que rasga a Constituição, rasga a legislação que trata do sigilo telefônico e, quando você tem uma autoridade de foro privilegiado como é o caso da Presidência da República, automaticamente, todo o processo transfere para o Supremo Tribunal Federal”, completou o líder do governo no Congresso, José Pimentel (PT-CE), também ignorando o fato de o grampeado ter sido o ex-presidente Lula, que no momento das interceptações não detinha foro privilegiado. “Este país não pode ser vítima da vontade de alguns em detrimento da legislação brasileira. No dia em que fizermos isso vamos voltar a 64 e, aqui, grande parte dos nossos pares, todos foram para as ruas para combater o estado de exceção, para combater a ditadura militar. Hoje, por achar que é preciso fazer um atalho para chegar à Presidência da República, resolvem apoiar um ditador que não respeita a legislação brasileira que é o que é o juiz federal Sérgio Moro”, esbravejou Pimentel.

“A crise já não é mais contada por dias e nem por horas, é por expediente e por instantes. O diálogo revela a presidente da República atuando para obstruir a Justiça brasileira. A presidente República do Brasil com o ex-presidente, orientando para que um termo de posse seja usado, se necessário, para escapar do alcance da Justiça brasileira”, esclareceu o líder do PSDB no Senado Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).

Publicidade