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No Planalto, Cármen Lúcia pede para não ser chamada de ‘presidenta’

Como presidente, Cármen sancionou a lei que institui o Dia Nacional de Conscientização sobre o Autismo

Por Estadão Conteúdo - 14 abr 2018, 16h39

A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, assumiu na sexta-feira a Presidência da República no lugar de Michel Temer, que viajou ao Peru para a 8.ª edição da Cúpula das Américas. Segunda mulher na história do Brasil a ocupar o Presidência – a primeira foi Dilma Rousseff em 2010 – Cármen Lúcia deve ficar no cargo até a tarde deste sábado, quando está previsto o retorno de Temer ao Brasil.

Terceira na linha sucessória, Cármen assumiu o Palácio do Planalto porque os dois primeiros, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), concorrem a cargos eletivos e, por isso, estão impedidos. Cármen e Temer se encontraram na base aérea antes de o presidente embarcar, por volta das 11 horas.

Cármen cumpriu agenda no Supremo, antes de despachar no Palácio do Planalto, e, na saída, falou rapidamente a jornalistas sobre o fato de assumir o posto: “cumprir a Constituição é sempre um prazer.”

A presidente em exercício chegou ao Planalto pouco depois das 15 horas. Optou por despachar na mesa redonda de 13 lugares do gabinete presidencial. Segundo auxiliares, ela não usou a cadeira presidencial. Para as audiências, avisou que não gostaria de ser chamada de “presidenta”, como Dilma gostava. Em agosto de 2016, quando assumiu a presidência do STF, Cármen Lúcia já havia ressaltado sua preferência pelo termo ”presidente”. “Eu fui estudante e sou amante da língua portuguesa e acho que o cargo é de presidente, não é?”, disse Cármen durante sessão na Corte.

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Cármen foi recebida na sexta no Planalto pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, a quem coube lhe passar uma espécie de briefing diário das atividades do Executivo. Auxiliares que acompanharam o entra e sai do gabinete presidencial brincaram que o 3.º andar do Planalto estava parecido com a Suprema Corte, do outro lado da rua.

Dia do Autismo

Desde a quinta-feira, quando ficou confirmado que Cármen despacharia no Planalto, auxiliares de Temer passaram a fazer um levantamento de atos que ela poderia assinar no Diário Oficial da União durante o curto período no cargo. Em uma das suas poucas ações como presidente da República, Cármen sancionou a lei que institui o Dia Nacional de Conscientização sobre o Autismo, a ser comemorado em 2 de abril.

Em 2016, a ministra foi criticada por pais de autistas por causa de um comentário que fez em entrevista. Ao ser questionada se os ministros do Supremo demonstrariam o mesmo emprenho nos casos da Lava Jato que tiveram no mensalão, ela disse que sim, e que os ministros não eram autistas. Após a repercussão negativa nas redes sociais, Cármen pediu desculpas.

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