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Monique, mãe do menino Henry, pede transferência para presídio federal

Presa em uma unidade do Rio de Janeiro desde o último dia 8, a professora, indiciada pela morte da criança, alega estar sendo ameaçada por outras detentas

Por Sofia Cerqueira, Marina Lang Atualizado em 16 abr 2021, 12h58 - Publicado em 16 abr 2021, 11h51

A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (Seap) recebeu um pedido para transferir Monique Medeiros, de 33 anos, mãe do menino Henry Borel, de 4, para um presídio federal. A professora e o padrasto da criança, o vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, foram presos no último dia 8 e indiciados por homicídio duplamente qualificado e tortura. Foi a própria Monique, que está no Instituto Penal Ismael Sirieiro, em Niterói, região metropolitana do Rio, quem solicitou a mudança da unidade alegando estar sofrendo sérias ameaças de outras detentas. Segundo fontes ligadas ao comando da instituição, a solicitação foi encaminhada nesta quinta-feira, 15.

No momento, a mãe de Henry ainda está isolada dos outros presos em função dos protocolos sanitários, que neste caso prevê uma quarentena de 14 dias, devido à pandemia do novo coronavírus. A professora – acostumada a frequentar restaurantes e hotéis de luxo com o parlamentar e vaidosa ao extremo, a ponto de ir ao salão no dia seguinte do enterro do único filho – hoje ocupa uma cela de 6 metros quadrados que, curiosamente, tem as paredes pintadas de cor de rosa. Lá, conta com um beliche, um chuveiro com água fria, uma pia e um vaso sanitário. Na semana passada, ela precisou ser levada um dia ao hospital em decorrência de uma infecção urinária.

Desde que Monique e Dr. Jairinho foram presos, surgiram denúncias que o casal estaria tendo privilégios. O diretor da Cadeia José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte do Rio, foi exonerado na última quarta-feira após terem vazado informações de que os dois gozaram de regalias naquela instituição, conhecida como principal porta de entrada do sistema prisional do Rio. É ali, por exemplo, que os recém-presos são levados para passar por audiência de custódia. Dr. Jairinho, que agora está no Presídio Petrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, teria ficado em uma sala de um diretor durante aquela triagem inicial e Monique, em um outro ambiente. Os dois não foram encaminhados para celas, o que é o procedimento padrão.

De acordo com a Seap, o diretor pediu afastamento do cargo “após discordar das denúncias de supostos privilégios”. A Secretaria de Administração Penitenciária informou que todas as imagens de câmeras de segurança da cadeia pública foram encaminhadas ao Ministério Público do Estado do Rio. Em uma delas, Dr. Jairinho aparece recebendo um sanduíche das mãos do próprio diretor da unidade, Ricardo Larrubia da Gama, no meio da tarde do dia 8. Ontem, conforme revelou o programa SBT Rio e foi confirmado por VEJA, as fichas prisionais tanto do padrasto quanto da mãe de Henry não apresentavam fotos deles, outro fato que foge às regras de quem ingressa no sistema.

Procurada, a assessoria da Secretaria de Administração Penitenciária do Rio negou que esteja havendo algum movimento do órgão para transferi-la.

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