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Ministério Público vai investigar desvios em ONG petista

A VEJA, ex-presidente de instituto apontou beneficiários de fraude milionária: um senador, dois deputados e candidato a governador estão na lista

Por Gabriel Castro, de Brasília - 20 set 2014, 16h30

O Ministério Público da Bahia vai abrir uma nova investigação sobre o desvio de verbas de uma ONG abastecida com dinheiro público no Estado. Como VEJA revelou, a ex-presidente do Instituto Brasil admitiu que a entidade era usada para abastecer os caixas e os bolsos de petistas baianos.

Na lista revelada por Dalva Sele Paiva estão o senador Walter Pinheiro, o candidato do PT ao governo da Bahia, Rui Costa, os deputados federais Afonso Florence e Nelson Pelegrino e o presidente da Embratur, Vicente José de Lima Neto. O esquema movimentou cerca de 50 milhões de reais. A entidade recebia recursos por meio de um convênio com o governo de Jaques Wagner (PT), mas parte do dinheiro era desviada.

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A promotora Rita Tourinho já havia iniciado uma investigação em 2010, mas os trabalhos não avançaram por falta de elementos que comprovassem o destino do dinheiro. A suspeita inicial surgiu por causa do método usado para repassar o dinheiro. “Nós questionamos por que não se fez um contrato, e eles disseram que foi um programa apresentado pela ONG”, explica a investigadora.

Com a confissão de Dalva Sele Paiva, um novo procedimento de investigação será aberto já na segunda-feira. A investigação inicial era por improbidade administrativa, mas agora o caso deve incluir acusações criminais. “Está claro que há um crime”, diz a promotora. A depender do resultado das eleições, o caso pode ser enviado à Procuradoria-Geral da República devido ao foro privilegiado dos parlamentares.

O presidente do DEM na Bahia, José Carlos Aleluia, afirmou que já havia suspeitas dos desvios há anos, mas se disse surpreso com a dimensão do esquema delatado pela dona do instituto. “Os deputados de oposição sabiam e alertaram o Ministério Público, mas faltavam os nomes”.

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Para Aleluia, a engrenagem funcionou com o aval da cúpula do governo. “Não se faria algo de tanta dimensão se não houvesse o consentimento de quem está no comando”. Também neste sábado, o candidato tucano à Presidência, Aécio Neves, disse que o episódio é “gravíssimo”.

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