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Minirreforma eleitoral volta a causar atrito entre PT e PMDB

Deputados petistas decidiram adiar a apreciação do projeto da minirreforma

Por Marcela Mattos - 15 out 2013, 20h33

O projeto de lei que promove pequenas modificações no sistema eleitoral brasileiro voltou a colocar PT e PMDB em lados opostos. Um acordo firmado entre os partidos previa a apreciação da minirreforma logo após a votação da medida provisória que cria o Mais Médicos – aprovada na semana passada. Nesta terça-feira, no entanto, os petistas se posicionaram favoráveis ao adiamento do tema. Em consequência, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), já anunciou o contra-ataque: “A partir de agora vou obstruir tudo”. Uma nova tentativa de votação ficou para esta quarta-feira.

Desde o final de setembro, o PT articula enterrar a minirreforma eleitoral, matéria que foi encampada pelo PMDB e já aprovada pelo Senado. O texto sugere, entre outros pontos, regramentos para a circulação de carros de som como meio de propaganda eleitoral e limita os gastos da campanha em relação a aluguel de veículos e alimentação dos apoiadores do candidato. A matéria deixa de fora as principais reivindicações dos petistas, que ainda insistem na realização de um plebiscito e querem aprovar o financiamento público de campanha e o voto em lista.

Após ameaçar obstruir a votação do Mais Médicos, Cunha se reuniu na semana passada com a presidente Dilma Rousseff, onde firmou um compromisso de não impedir a apreciação da matéria caso a minirreforma fosse votada em seguida. O projeto chegou ao plenário nesta tarde, mas esbarrou na resistência de partidos, entre eles o PT, que apoiaram o adiamento da votação.

“Se o PT continuar obstruindo, o PMDB se sentirá no direito de também obstruir as demais matérias e não votaremos sequer o projeto das dívidas. A obstrução também ocorrerá em comissão. Aprendemos com o PT a cumprir trato”, afirmou Cunha. “Isso é molecagem do José Guimarães [líder do PT]”, completou. O petista rebateu: “Não venha cobrar acordo que não existe. Nós não estamos obstruindo a sessão, mas temos o direito de votar sim ou não e votamos pelo adiamento assim como vamos votar contrários à matéria”.

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