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Menor condenado por estupro no Piauí é morto em centro de correção

Gleison Vieira da Silva, de 17 anos, é espancado dentro de alojamento pelos outros três comparsas infratores

Por Felipe Frazão - Atualizado em 10 dez 2018, 10h48 - Publicado em 17 jul 2015, 08h04

O menor Gleison Vieira da Silva, de 17 anos, foi assassinado na madrugada desta sexta feira dentro do Centro Educacional Masculino, em Teresina. Ele é um dos quatro jovens infratores condenados na semana passada pelo estupro coletivo de quatro meninas e pela morte de uma delas em Castelo do Piauí. O crime ocorreu no fim de maio. Gleison foi espancado pelos outros três menores condenados com ele, segundo informações iniciais da Polícia Civil. Ele teria sido atacado no alojamento onde os menores começaram a cumprir a internação, em ala separada. O jovem recebeu diversas pancadas na cabeça e ficou com o rosto desfigurado.

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A transferência dos menores preocupava a direção de casa de correção. Os demais internos costumam rejeitar e até retaliar menores acusados de estupro. Antes, eles estavam apreendidos em outra unidade, o Centro de Internação Provisória (Ceip), onde Gleison chegou a ficar separado dos demais. Ele brigou com um dos comparsas pouco antes do estupro, de acordo com a mãe. Os menores se irritaram com o garoto depois que foi divulgado um vídeo (assista a seguir) em que ele narra detalhes do crime contra as meninas e delata os demais. Em Teresina, ele dividia o quarto com F.J.C.J., também de 17 anos, I.V.I e B.F.O., ambos de 15.

O ataque começou por volta das 23 horas de quinta-feira. Gleison recebeu golpes na cabeça e teve traumas no crânio e no rosto. O menor chegou a ser socorrido por um educador social e foi retirado com vida de dentro do alojamento, mas não resistiu. Ele morreu ainda dentro do CEM. O corpo não tinha marcas de perfuração, e as autoridades vão investigar se houve estrangulamento ou sufocamento. Depois do assassinato de Gleison, os três foram levados temporariamente de volta para o Ceip, onde ficam totalmente isolados, em apartamentos individuais. “Fomos surpreendidos. Eles confessaram a barbárie à polícia com a crueldade e a frieza de pessoas de alta periculosidade. Eles alegaram ao delegado no momento vingança”, diz o diretor de Atendimento Socioeducativo do Piauí, Anderlly Lopes. “Eles tinham problemas mais antigos, como disputa por objetos furtados. Existe uma suposição de que os três estavam tramando contra a vítima, que havia delatado os outros no processo.”

Lopes recomendou ao juiz da 2ª Vara da Infância e da Juventude, Antônio Lopes, a transferência dos três menores agressores para unidades no interior do Estado, em Picos ou Parnaíba, porque há risco de serem atacados por outros adolescentes infratores. Quando o grupo chegou ao CEM, os demais menores apreendidos protestaram, batendo contra as grades dos alojamentos. Os quatro adolescentes estavam recolhidos no mesmo local, um alojamento separado dentro da ala destinada a menores que cometeram estupros e crimes graves.

O Centro Educacional Masculino tem capacidade de sessenta internos, mas abriga cerca de oitenta atualmente. O local não tem estrutura para isolamento individual. A casa de correção tem histórico de superlotação e fugas. Ao todo, a ala em que eles cumpriam a internação abrigava treze menores internados, mas sem acesso aos quatro garotos de Castelo do Piauí, segundo o diretor. Eles ficaram em um cômodo com quatro camas de concreto e haviam sido transferidos para a unidade há cerca de 24 horas. “A separação deles era uma necessidade anterior, tivemos essa preocupação. Mas em diálogo com esses adolescentes chegamos à conclusão de que a medida não seria viável, até por segurança deles. Os internos que já estavam na unidade tumultuaram o ambiente na ânsia de fazer vingança e esses adolescentes, com receio de sofrerem represálias, aceitaram ficar agrupados.”

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