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Médica acusada de matar pacientes em UTI pode ir a júri popular

A médica e outros cinco profissionais da saúde do Hospital Evangélico de Curitiba são acusados de provocar a morte de sete pacientes entre 2011 e 2013

Por Da redação - 25 out 2016, 10h58

O Ministério Público do Paraná pediu que vá a júri popular a ex-chefe da unidade de terapia intensiva do Hospital Evangélico de Curitiba, Virgínia Helena Soares de Souza, e mais cinco dos oito acusados de provocar a morte de sete pacientes, entre 2011 e 2013. O pedido do órgão foi realizado em 17 de outubro e a previsão é que a 2ª Vara do Júri da capital paranaense tenha um parecer final em fevereiro de 2018.

Os envolvidos no caso são acusados de homicídio doloso duplamente qualificado e formação de quadrilha. Além de Virgínia, foram denunciados os médicos Edison Anselmo da Silva Júnior, Maria Israela Cortez Boccato e Anderson de Freitas e as enfermeiras Laís da Rosa Groff e Patrícia Cristina de Goveia Ribeiro. As mortes vieram à tona em 2013, após investigação da Polícia Civil. A médica, que responde por sete homicídios, está autorizada a trabalhar, mas cumpre medida cautelar que a impede de exercer a profissão em unidades de terapia intensiva.

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Gravações realizadas em janeiro de 2013 mostram Virgínia dizendo que quer “desentulhar a UTI, tá me dando coceira”. As investigações gravaram mais de 30 horas de conversa da médica. Em um dos áudios é possível ouvir Virgínia dizendo que é preciso “girar a UTI”. Segundo a promotoria, a médica era líder do esquema que antecipava a morte dos pacientes. O MP baseou seu pedido após ouvir testemunhas, analisar laudos, prontuários médicos e realizar interceptações telefônicas.

Antecipação de mortes

Segundo as investigações, a médica – com o conhecimento de outros profissionais – administrava remédios em pacientes terminais que os induziam a morte. Uma paciente chegou a pedir socorro à filha para deixar a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico de Curitiba. De acordo com bilhete escrito pela paciente, os aparelhos que a ajudavam a respirar eram desligados à noite. “Eu preciso sair daqui pois tentaram me matar”, dizia o bilhete escrito de próprio punho e incluído ao inquérito em fevereiro de 2013.

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