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“Quero desentulhar a UTI”, disse médica de Curitiba em gravação

Virgínia Soares de Souza, chefe da UTI de hospital de Curitiba que está sendo investigada por homicídio qualificado, diz ter sido mal interpretada por essa fala

Por Da Redação 21 fev 2013, 10h27

Nesta quarta-feira, a Polícia Civil do Paraná afirmou que Virgínia Soares de Souza, chefe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba, está sendo investigada por homicídio qualificado e que a investigação vem sendo feita há aproximadamente um ano. Em um trecho do depoimento da médica à polícia, divulgado nesta quarta-feira pela RPC TV, afiliada da Rede Globo, Virgínia afirma que foi mal interpretada por falas como “Quero desentulhar a UTI que está me dando coceira”, ditas numa gravação do mês de janeiro.

A médica, presa nesta terça-feira por suspeita de participar da morte de pacientes da UTI do hospital do qual é funcionária, ainda disse não se lembrar de ter dito, à família de um paciente, a frase: “Infelizmente, é nossa missão intermediá-lo do trampolim do além”.

Depoimentos – Uma profissional que atuava com Virgínia na UTI, e preferiu não se identificar, disse que era hábito da médica tratar com desdém alguns pacientes. “Quase todo dia havia uma parada cardíaca e ela gritava ‘Spp’ (sigla utilizada em UTIs que significa “se parar, parou!”), então, as enfermeiras saíam fora e deixavam o paciente. Isso quando era SUS; se era particular ou convênio, aí tentavam salvar”, disse.

À RPC TV, o técnico de enfermagem Silvio de Almeida disse que trabalhou no hospital sob a supervisão de Virgínia durante três anos. “A mínima quantidade de oxigênio que o respirador podia mandar, ela deixava, que é sempre em 21%. Eu já vi muitas vezes ela desligar o respirador”, disse. “São dois médicos e uma médica, só que esses eu não vou citar o nome, que fazem a mesma coisa que ela (Virgínia), que têm a mesma conduta que ela.”

A delegada Paula Brisola afirmou nesta quarta-feira que a médica provavelmente não agiu sozinha. “Outros funcionários também estão sendo ouvidos e sob investigação”. Virgínia atua Hospital Universitário Evangélico de Curitiba desde 1998 e é chefe da UTI desde 2006. Segundo a polícia, as mortes ocorridas na unidade nos últimos sete anos serão analisadas.

O advogado da médica, Elias Mattar Assad, criticou a condução da investigação. “Pelo o que está se delineando, agora, de homicídio qualificado, não vai se ter um defunto ou um laudo por outra causa de morte que não seja a que não está no laudo. Não há como provar outra coisa.”

Hospital – Em entrevista concedida à RPC TV na manhã desta quarta-feira, Gilberto Pascolat, diretor clínico do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba, afirmou que nunca soube de “nada que desabonasse a conduta dela, tanto da parte técnica quanto da ética” e que nunca chegaram a ele queixas oficiais contra a médica. De acordo com o diretor-geral do hospital, Odair Braun, “a instituição não vai manifestar nenhuma opinião nesse processo”.

Em entrevista ao G1, site de notícias da Rede Globo, Braun afirmou que Virgínia já havia sido afastada do hospital em 2011. “Neste ano o diretor geral antecessor de fato fez uma suspensão dela por trinta dias. Mas se tratava de uma situação envolvendo relacionamento entre profissionais da equipe”, disse. Em entrevista ao site de VEJA, o advogado de defesa, Elias Mattar Assad, disse que, por enquanto, atribuía as denúncias contra Virgínia às “inimizades da médica”.

(Com Estadão Conteúdo)

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