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Marcelo Freixo tenta fazer do músico Marcelo Yuka seu candidato a vice no Rio

Estratégia de recorrer a vice com visibilidade serviria para compensar pouco tempo de TV e ajudaria a reforçar campanha nas redes sociais, como quer o PSOL

A eleição municipal no Rio tem obrigado os pré-candidatos a recorrerem a diversas estratégias para dificultar a vitória de Eduardo Paes. Em um pleito cujas vantagens do atual gestor o colocam em um patamar confortável, seus concorrentes começam o ano lançando mão do possível e do que parece impossível na política. Uma das frentes exploradas pelas chapas será a figura dos vices, alçados a estrelas nessa corrida ao Palácio da Cidade. Depois da divulgação da inusitada aliança entre Rodrigo Maia, do DEM, e Clarissa Garotinho, do PR, o deputado estadual Marcelo Freixo, do PSOL, escolheu um músico para fazer dobradinha. Marcelo Yuka, ex-baterista do grupo O Rappa, é o nome desejado.

Yuka, filiado ao PSOL desde 2010, aguarda o sinal verde do partido. No dia 20, Freixo se reunirá com a direção da legenda para, entre outros assuntos, tratar da escolha do vice. A ideia de indicar o músico para esse cargo é simbolizar a presença da sociedade civil em uma eventual vitória de Freixo. Com apenas um minuto de televisão, a sigla optou por não fazer alianças que aumentassem o tempo de exposição – contrária à lógica que levou Anthony Garotinho e Cesar Maia a jurarem fidelidade após anos de adversidades. “Nós somos contra ao velho entendimento das alianças: distribuição de cargos e tempo de televisão. Pensamos em outra estética política. Queremos uma ampla participação da sociedade civil. E o PSOL se apresenta como esse instrumento”, afirma o deputado.

A figura de Yuka reforça a tese de Freixo. O músico, descolado da imagem de político, aparecerá na campanha como um representante da sociedade. A indicação de seu nome deve reforçar o voto da juventude e da classe artística. O deputado ficou conhecido no Rio por sua atuação no combate às milícias. Freixo presidiu a CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), em 2007, que indiciou 225 envolvidos e propôs 58 medidas para acabar com a atuação dos grupos paramilitares. O deputado tem por bandeiras a ética e a defesa dos direitos humanos. A fama de Freixo correu pelo Brasil ao inspirar o deputado estadual Diogo Fraga, personagem do filme Tropa de Elite 2.

Para aumentar a sintonia com Yuka, foram agendados encontros semanais na casa do músico para que a dupla, auxiliada por especialistas, discuta temas da campanha. O primeiro será sobre saúde, uma das principais frentes em que os dois atuarão. Yuka ficou paraplégico depois de ser baleado na Tijuca, zona norte do Rio, durante um assalto. Desde então, assuntos relacionados à saúde tornaram-se pontos-chaves para ele. Estarão presentes uma pesquisadora da Fiocruz, o vereador e médico Paulo Pinheiro, do PSOL, e o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Jorge Darze.

Como Eduardo Paes terá o apoio da maior parte dos partidos e cerca de 14 minutos de televisão, Freixo e Yuka planejam recuperar essa diferença nas redes sociais. E aí é um trabalho que poderá ser largamente feito pelo músico, de quem não se espera comícios ou campanhas de rua sem a presença de Freixo. A estratégia é oposta a de Rodrigo e Clarissa. Os dois terão agendas separadas, para estar em mais lugares durante os meses de campanha. Com Freixo, isso não acontecerá. Mas a escolha de Yuka como vice mostra-se coerente com o seu estilo de fazer política no Rio.

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